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A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano, correspondendo a 16% de seu peso (Figura abaixo). Recobre o corpo protegendo-o da perda excessiva de água, do atrito e dos raios ultravioletas do sol. Também recebe estímulos do ambiente e colabora com mecanismos para regular a temperatura corporal.

A pele pode ser dividida em epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é formada por um revestimento de camadas de células sobrepostas, sendo que as células superficiais são achatadas e compõem uma camada córnea rica em queratina. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo. As células empilhadas não são todas iguais: a camada mais superficial é o extrato ou camada córnea. Mais abaixo se encontram as camadas granulosa, espinhosa e basal. O pH varia de 4,5 a 5,5. A derme é o tecido conjuntivo sobre o qual se apóia a epiderme, de espessura variável, atingindo o máximo de 3 mm nas plantas dos pés. O limite da derme com a epiderme é formado por saliências, as papilas dérmicas (camada papilar), que correspondem a reentrâncias (cavos) na epiderme. A camada papilar, com limites pouco nítidos, continua com uma camada mais profunda e mais espessa, chamada de camada reticular. A hipoderme é a camada mais profunda. Na hipoderme há também tecido adiposo, cujas células armazenam a gordura subcutânea. É formada por um tecido conjuntivo frouxo que serve para unir, de maneira pouco firme, a derme aos outros órgãos do corpo, permitindo que a pele tenha certo grau de deslizamento, variável com a região do corpo.

O grande problema tecnológico encontrado por aqueles que desenvolvem produtos para pele, principalmente, cosméticos e medicamentos, é prever ou estimar a absorção de substâncias ativas. Por isso e devido à sua inerente complexidade estrutural, a pele é alvo de estudos cada vez mais complexos. Desde os estudos pioneiros de Rein, em 1924 (Rein, H (1924), Experimental studies on electroosmosis in surving human skin. Z. Biol. 81, 125-140) até o presente momento, houve uma grande evolução nos estudos para determinar os principais mecanismos de transporte através da pele. Até o momento, as pesquisas indicam três mecanismos passivos a saber:
a) difusão intercelular;
b) difusão transcelular através dos queratinócitos e camadas lipídicas;
c) difusão através do folículo capilar e dutos de suor.

Com base nestes mecanismos, diversos modelos de transportes através da pele foram criados nos últimos anos. O primeiro modelo consistente foi feito por Flynn (Flynn, G.L. (1990) Physicochemical determinants of skin absorption. In Principles of route-to-route extrapolation for risk asessment (Gerrity, T.R. and Henry, C.J., eds), pp. 93-127, Elsevier Science) que primeiro estipulou que a capacidade de penetração na pele está relacionada ao coeficiente de partição octanol-água, o koct. Contudo, esse modelo foi muito criticado devido à falta de acurácia dos resultados e, consequentemente, na baixa confiabilidade da previsão do coefiente de partição na pele, o kp ou log kp. Posteriormente, apareceram modelos fundamentados em peso molecular, estruturas funcionais, elétrons pi, porém, todos de aplicabilidade limitada. Contudo, com o surgimento de técnicas de correlação quantitativa estrutura-atividade (QSAR, Quantitative Structure-Activity Relationship) houve uma melhoria nos modelos. O QSAR usa modelos matemáticos e técnicas computacionais para analisar a ação sinérgica de propriedades tais como interações intermoleculares, estrutura química, coefiente de partição koct, peso molecular e mecanismo de difusão específicos.

Dentro da lógica QSAR, pode-se citar os seguinte modelos de uso corrente:
- Análise do componente principal (PCA, Princinpal Component Analysis ).
- Difusão através do volume livre laretal e difusão através dos poros e junções.
- Análise probabilística.
- Modelagem Fuzzy.
- Modelagem de rede neural artificial.
- Cromatografia compartilhada biomicelar.

Não existe técnica que seja uma panacéia, mas dependendo da estrutura da molécula ativa e do nível de penetração desejada na pele, certos modelos são mais adequando que outros. O modelo cromatografia compartilhada biomicelar é bastante útil para o desenvolvimento de fármacos porque pode prever o efeito do pH na absorção pela pele de substâncias protonáveis .

Em resumo, o trabalho de pesquisa e desenvolvimento com produtos ou substâncias que necessitam penetrar na pele e, em muitos casos, chegar aos vasos capilares não é trivial. Como o estudo in vivo ou in vitro dos coeficientes de transportes costumam ser onerosos e de aplicação restrita, o uso de modelos preditivos é extremamente importante do ponto de vista econômico e técnico-científico por otimizar e acelerar o desenvolvimento de novas substâncias e produtos e dar luz ao entendimento da absorção de sustâncias conhecidas, principalmente, aquelas com elevada toxicicidade. Cabe escolher o modelo que melhor se aplique ou adapte aos objetivos traçados.

 

 

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