Link: http://www.tqfsite.eng.br
O conceito de medicina personalizada ou genética é fundamentado na avaliação clínica e criteriosa do paciente mediante diagnósticos genéticos precisos, que possibilitam a prescrição de medicamentos personalizados conforme a carga genética do indivíduo.
Essa nova forma de medicina está ainda em gestação pelas grandes indústrias farmacêuticas. Entretanto, a sociedade está fazendo pressão crescente para que os medicamentos sejam cada vez mais seguros e eficazes, ou seja, há uma convergência dos anseios da sociedade para a medicina personalizada. Todavia, isso vai de encontro ao modelo atual de comercialização de produtos farmacêuticos que são baseados nos chamados "blockbusters drug", ou seja, medicamentos que vendem em torno de US$ 1 bilão por ano e são associados a moléstias crônicas, comuns e associadas ao estilo de vida das pessoas (exemplo, o Viagra que rendeu em torno de $ 2,4 bilhões em vendas para Pfizer em 2003).
Atualmente, o desenvolvimento de um medicamento para ser posto no mercado beira os US$ 800 milhões. É natural que as indústrias farmacêuticas vejam com resistência o refinamento dos estudos para se chegar a uma terapia mais personalizada, visto que os custos se elevariam substancialmente. Infelizmente, o mundo dos negócios é frio e não há dúvidas que a implantação dessa nova filosofia levará o tempo suficiente para que os novos investimentos sejam amortizados e viabilizados.
Na verdade, o cenário atual é emblemático e retrata uma situação ao mesmo tempo complicadora para o mercado farmacêutico, mas também, cheia de oportunidades. Há a quebra de dois paradigmas. Primeiro, a forma como é desenvolvida atualmente os medicamentos, que trabalha com foco na eficácia e devem passar a ser altamente eficazes e seguros. Segundo, o modelo de divulgação e no mecanismo de conquista de consumidores que passará de genérico para individual ou personalizado, já que não se poderá dizer que determinado produto servirá para todos. Entretanto, essas novas circunstâncias podem levar a novos nichos de mercado e a um maior efeito de identificação e consolidação de marcas.
Algumas empresas farmacêuticas de grande porte já se movimentam no intuito de minimizar os custos do desenvolvimento desses novos medicamentos. O principal caminho tem sido a terceirização do desenvolvimento dos fármacos em seu estágio inicial, ou seja, no pré-clínico e/ou fases 1 e 2. Aproveitando esse momento, os indianos estão conseguindo fechar importantes negócios com companhias do tope da Eli Lilly. Logicamente, essas grandes empresas farmacêuticas não iriam arriscar projetos de grande monta se os indianos não tivessem as mínimas condições de infra-estrutura e pessoal qualificado para tal. Na verdade, a Índia hoje conta com grande quantidade de especialistas formados nas melhores universidades dos Estados Unidos e Europa. Além disso, contam com pessoas com grande experiência e oriundas de multinacionais do setor. Também, as instalações não deixam a dever das semelhantes encontradas nos grandes centros de pesquisa.
Para países como o Brasil, o advento da medicina personalizada vai diametralmente oposto às mazelas que há séculos rodeiam os brasileiros. Entretanto, o Brasil possui trabalhos em genoma de elevado nível técnico e a infra-estrutura instalada, aparentemente, permitem o aprofundamento das pesquisas voltadas para o desenvolvimento de kit de diagnósticos genéticos e medicamentos personalizados. De fato, não há como se esquecer dos problemas básicos, que passam até por ordem nutricional. Entretanto, somente um esforço de ações paralelas fundamentadas em investimentos na erradicação das doenças negligenciadas e no fortalecimento do aparato tecnológico e industrial poderá fazer frente a esse novo paradigma.
É claro que o atual aparato tecnológico do Brasil, está muito aquém do encontrado, por exemplo, na Índia. Não somente pela questão de infra-estrutura rarefeita e desestruturada, como também pela insuficiente e desfocada formação e encaminhamento de cientistas para o desenvolvimento de medicamentos. Há realmente que se fortalecer as instituições existentes (empresas e centros de pesquisa), promover a disseminação dos institutos de excelência, criar mecanismo de absorção da mão-de-obra formada e incentivar a formação de empresas incubadas com capital público, privado ou público/privado.
Como na nanotecnologia, a medicina personalizada vislumbra uma nova fronteira onde as oportunidades são renovadas por que os paradigmas tecnológicos e mercadológicos antigos são quebrados ou enfraquecidos. Ainda há tempo, se começarmos agora, neste momento.
Esse post tem 5 feedbacks esperando moderação...
Comentários recentes