O CARREGAMENTO DESTA PÁGINA PODE SER DEMORADO PARA CONEXÕES LENTAS. PEDIMOS PACIÊNCIA NESTES CASOS.
2007
33- AVANÇOS TECNOLÓGICOS NAS EMBALAGENS FARMACÊUTICAS - PARTE I
32 -PLA- POLI(ÁCIDO LÁTICO)- É UMA ALTERNATIVA PARA FORMAÇÃO DE BIO-REFINARIAS
31 - NANOTECNOLOGIA – O TSUNAMI TECNOLÓGICO
30 - NANOTECNOLOGIA PODE REVOLUCIONAR TRATAMENTO DE TUBERCULOSE
29 - MEDICINA PERSONALIZADA: UMA NOVA FRONTEIRA DE CONHECIMENTO E OPORTUNIDADES
28 - DICAS PARA ESCREVER UM BOM CURRÍCULO
2006
27 - INTRODUÇÃO A FISIOLOGIA
26 - O QUE SÃO TECIDOS?
25 - USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS
24 - TRANSPORTE ATRAVÉS DA PELE
23 - EMPREGO, TRABALHO E OPORTUNIDADES
22 - A AVALIAÇÃO DE ADITIVOS DE FORMULAÇÃO
21 - NOVAS CLASSES DE ANTIBIÓTICOS URGENTE
20 - APLICAÇÕES FARMACÊUTICAS DO AMIDO
19 -AS MIL E UMA FACES DO AMIDO
18 - UM RETRATO DO BRASIL
17 - PARA ONDE VAI A PESQUISA E DESEVOLVIMENTO NO MERCADO FARMACÊUTICO ?
16 - DSC NA AVALIAÇÃO DE MATERIAIS E SUBSTÂNCIAS
15 - GARANTINDO A FLUIDEZ DE PÓS E GRÂNULOS
14 - DETERMINAÇÃO DE TRAÇOS DE IMPUREZAS POR RMN (RESSONÂNCIA MAGNÉTICA NUCLEAR)
13 - CONCURSO DA FIOCRUZ
12 - BNDES FINANCIA CADEIA PRODUTIVA FARMACÊUTICA
11 - TALIDOMIDA NO TRATAMENTO DO CÂNCER SANGUÍNEO
10 - NANOCORANTE NA ANÁLISE DE METAIS PESADOS
9 - TÉCNICAS DE OSTEOINTEGRAÇÃO
2005
8 - QUAL A DIFERENÇA ENTRE TERAPIA GÊNICA E TERAPIA CELULAR?
7 - TERAPIA GÊNICA – FICÇÃO OU REALIDADE?
6 - POLIMORFISMO DA ASPIRINA
5 - NOVOS VENTOS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA TUBERCULOSE
4 - NANOTECNOLOGIA NO BRASIL
3 - GRIPE AVIÁRIA – NOVA BRIGA DE PATENTES?
2 - SOFTWARE NO ESTUDO DA METABOLIZAÇÃO DE MOLÉCULAS
1 -PRÊMIO NOBEL EM FISIOLOGIA E MEDICINA 2005
AVANÇOS TECNOLÓGICOS NAS EMBALAGENS FARMACÊUTICAS - PARTE I
Por Fabio Dantas - Editor
A embalagem de qualquer produto retrata de forma inequívoca a sua qualidade e aplicação. Muitas empresas subestimam a versatilidade e importância das embalagens, principalmente, a primária. Entretanto, com a competição do mercado e o aperto da legislação de saúde, a demanda por embalagens mais inteligentes e sintonizadas com a sua aplicação, esta cada vez mais acentuada. As empresas que não se atentarem poderão perder parcelas significativas do mercado e ou diminuir sua capacidade competitiva.
Contudo, o que está acontecendo para ser tão alarmante assim? Antes de entrar neste ponto, devemos conceituar embalagem.
Embalagem é o invólucro do produto e deve ser constituída de materiais adequados (plástico, vidro, metal, papel) e deve ser usado para conter, proteger, manusear e apresentar o seu conteúdo principal e secundário. Pode ser descartável e reutilizável. As descartáveis podem ser recicláveis ou biodegradáveis.
As embalagens podem se apresentar nas seguintes formas:
A) Primária – É a embalagem que está em contato direto com o conteúdo principal. Por exemplo, o blister de um comprimido é a embalagem primária. A abertura da embalagem primária promove alteração no produto, por isso, também ela tem papel fundamental no manuseio e proteção do conteúdo.
B) Secundária – É a embalagem que agrupa ou protege a embalagem primária. Geralmente, é a embalagem que fica à mostra nas prateleiras. Sua violação geralmente não altera o produto.
C) Terciária – É a embalagem que facilita o transporte e tem por característica promover a integridade física da embalagem secundária.
Com essas classificações, fica fácil entender a aplicação de cada tipo de embalagem e onde o fabricante deve se atentar mais. Portanto, o grande avanço observado hoje na indústria farmacêutica está exatamente na embalagem primária. Para um produto farmacêutico a embalagem primária apresenta algumas propriedades importantes e complementares aos elementos da formulação, tais como: barreira a luz, barreira à umidade, identificação precisa, praticidade e segurança.
No Brasil, a legislação prever basicamente dados tais como: nome da substância, fabricante, prazo de validade, data de fabricação e responsável técnico. Nos medicamentos genéricos, há mais detalhes nas embalagens primárias e secundárias, como letra G de genérico e destaque do nome da substância ativa segundo as Denominações Comuns Brasileiras.
Já o desenvolvimento de embalagens nos países mais desenvolvidos, principalmente nos Estados Unidos, vem sofrendo avanços com relação ao aumento da informação ao paciente, prevenir falsificação, proteção do conteúdo (prevenção de acidentes) e aumento da adesão ou interação com o usuário. Dentro dessa lógica, destacam-se quatro avanços:
1 – Identificação da parte mais unitária. Por exemplo, em produtos cujo conteúdo está em cápsulas ou comprimidos, a identificação vai até essas unidades.
2 – Dispositivos para dificultar a abertura por crianças e facilidade às pessoas com deficiência motora.
3 – Dispositivos para dificultar a falsificação.
4 – Novos materiais que apresentam melhores propriedades de barreiras e menor custo.
É evidente que essas modificações envolvem custos relativamente altos e algumas empresas não irão investir espontaneamente nesses novos sistemas. Contudo, tomando como referência o desenvolvimento dessas embalagens no mercado americano, é possível que essas inovações cheguem ao Brasil e criem uma cultura de contestação às atuais no mercado.
Depois do conteúdo, a embalagem é a segunda coisa mais importante do produto, podendo ser decisiva para o sucesso do produto. Cada vez mais, a embalagem reflete a tendência tecnológica da inovação constante e inspira cuidado e cautela às empresas alheias a sua qualidade e tecnologia.
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Publicado
em 28/07/2007
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PLA- POLI(ÁCIDO LÁTICO)- É UMA ALTERNATIVA PARA FORMAÇÃO DE BIO-REFINARIAS
Por Fabio Dantas - Editor
A humanidade tem sofrido pressões constantes da natureza após pouco mais de um século da revolução industrial. A exploração dos recursos naturais sem critérios e a conseqüente poluição do ar, rio, terra e mares, começa a cobra um preço bastante caro ao homem, sua própria sobrevivência.
Em todo mundo, há uma frenética corrida para reverter os problemas ecológicos atuais e que virão. Isto acaba acirrando a competição em determinadas linhas tecnológicas. Entretanto, ainda há muito campo para atuar, principalmente em processos limpos e com recursos renováveis. Principalmente, aqueles que substituem os derivados de petróleo, que se especula que irão escarcear dentro dos próximos 50 anos. Mesmo que não seja de fato verdade, os produtos baseados em fontes renováveis tendem a ser cada vez mais demandados não só pela questão ecológica, mas também pela futura escassez e elevado preço das resinas comuns (PP, PE, OS, entre outras).
Os biopolímeros ou polímeros biodegradáveis, mais notadamente o PLA (poli(ácido lático)) e copolímeros, apresentam-se como alternativa factível. Atualmente, produz-se cerca de 0,2 milhões de tonelada por ano no mundo. Ainda bastante inferior ao seu concorrente direto, o PE com 19 milhões de tonelada por ano.
O PLA é um poliéster alifático produzido da polimerização do ácido lático (monômero), Figura 1. Foi primeiramente sintetizado a 150 anos atrás, mas somente nos anos 60 ganhou importância quando passou a ter aplicação médica. A partir dos anos 80, empresas como a Dupont, Coors, Brewing (Chronopol) and Cargill começaram estudos de viabilização técnica e econômica para produção em larga escalda do PLA. Entretanto, somente a Gargill deu prosseguimentos aos estudos.

Figura 1 – Estrutura química do PLA.
O PLA tem excelentes propriedades físicas e mecânicas que o faz forte candidato a substituir os termoplásticos atuais. O preço até então proibitivo para aplicações comuns, tem caído a patamares cada vez menores conforme há aumentos na escala de produção. O monômero apresenta um carbono quiral que possibilita duas estruturas estereoisómeras, L e D. Essas formas isoméricas são obtidas basicamente por processos bioquímicos e com rendimentos baixos. Um desafio tecnológico é produzir esses isômeros por rota sintética e a partir de matérias-primas abudantes, não poluentes e baratas.
Nos dias atuais, a Cargil Dow possui a maior fábrica de PLA no mundo instalada nos Estados Unidos com capacidade de produzir 140.000 toneladas por ano. O processo é totalmente baseado da fermentação da biomassa de milho, seguido pela extração do ácido lático por meio do lactato de cálcio que é restaurado à ácido lático por meio de acidificação. O monômero, por meio de destilação reativa e catalisadores metálicos, produz-se o PLA. Há uma técnica mais moderna desenvolvida pela Mitsui Toatsu, que envolve o uso da remoção azeotrópica de água. Na prática, cada 2 kg de grãos de milho gera 1 kg de PLA. A Figura 2 mostra o esquema de produção do PLA a partir da biomassa de milho.

Figura 2 - Processo de obtenção de PLA da biomassa de milho
Os custos de produção do PLA ainda são altos porque envolvem grandes investimentos para viabilizar o início da produção. Atualmente, o kg do PLA na Europa está em torno de 3 euros e nos Estados Unidos 2,8 dólares.
O PLA tem todo o perfil para se transforma em plástico popular e permitir o desenvolvimento de bio-refinarias com balanço de massa e energia com baixa agressão ao meio ambiente.
Publicado
em 08/07/2007
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NANOTECNOLOGIA – O TSUNAMI TECNOLÓGICO
Por Fabio Dantas - Editor
Diferentemente do tsunami gerado pelo mar, que destrói tudo em seu caminho, o tsunami tecnológico gerado pelo vertiginoso desenvolvimento da nanotecnologia tem levado a inovações espetaculares. Apesar de relativamente recente, o desenvolvimento de produtos fundamentados em nanotecnologia tem aberto novas frentes na produção de medicamentos mais eficientes em termos de dissolução, prolongamento de ação e especificidade. A tabela a seguir mostra as principais empresas que atualmente estão desenvolvendo ou desenvolveram produtos nanotecnológicos.
TABELA – Relação de empresas que investem em nanotecnologia farmacêutica |
Empresa (com links ativos, passe o ponteiro do mouse) |
Plataforma Tecnológica |
| Abraxis BioScience |
Nanopartícula de albumina ligante |
| Artificial Cell Tecnhologies |
Nanofilmes em multicamada |
| Aphios |
Nanopartículas de proteína, nanoesferas de polímeros, nanosomos de fosfolipídeos |
| Azaya Therapeutics |
Liposomos de proteína estabilizada |
| Baxter |
“Nanoedge”, tecnologia de nanodispersão |
| BioAlliance Pharma |
Nanopartículas de poliisohexilcianoacrilato. |
| BioDelivery Science |
Sistema de liberação controlada de fármacos baseada em nanocoquelato |
| Biophan |
Nanotubos, revestimentos e carreadores nanomagnéticos. |
| Calando Pharmaceuticals |
Sistema de liberação baseado em nanopartículas de siRNA |
| CeramiSphere |
Encapsulação e tecnologia de liberação controlada baseada em síntese sol-gel |
| Elan |
“NanoCrystal”, tecnologia de nanocristais |
| Flamel Technologies |
“MEDUSA”, nanopartícula de poli(amino ácidos) auto-arranjáveis. |
| Iceutica |
“EON”, química do estado sólido |
| Intezyne Technologies |
“Ivect”, liberação de fármaco baseado em micelas poliméricas |
| Insert Therapeutics |
“Clyclosert”, tecnologia de nanopartículas |
| Keystone Nano |
“Molecular Dots”, nanopartículas para encapsulação |
| Labopharm |
Sistema de nanopolimérico de liberação |
| Nanocopeia |
“ElectroNanospray” para a produção de nanopartículas ultrapuras |
| Nanotherapeutics |
Nanopartículas formuladas e processos relacionados |
| pSivida |
“BiSilicon”, silício nanoestruturado |
| Spherics |
“PIN”, nanotecnologia de inversão de fase |
Fonte: http://www.pharmtech.com/pharmtech/article/articleDetail.jsp?id=428384
De forma geral, podemos dividir as nanotecnologias farmacêuticas nos seguintes processos:
- Nanonização de tamanho de substâncias ativas.
- Controle de cristalização de partículas ativas para formação de nanocristais.
- Nanoencapsulação de substâncias ativas por meio de estruturas poliméricas.
- Nanoencapsulação de substâncias ativas via síntesi “in situ”.
- Deposição ou aprisionamento de substâncias ativas em nanofilmes ou nanoestruturas.
Algumas tecnologias podem ser destacadas como a NanoCrystal e Nanoedge que trabalham a otimização de um conceito antigo, ou seja, quanto menor o tamanho da partícula, maior a sua capacidade de dissolução em determinado meio. O único problema até então era estabilizar essas nanopartículas para não formarem aglomerados. Aparentemente, essas empresas conseguiram resolver esse problema.
O que chama atenção é que a maioria dessas empresas é de pequeno porte e com forte foco nessas tecnologias de ponta, que até bem pouco tempo eram assunto de pesquisa básica. Algumas já possuem tecnologia transferida ou licenciada para grandes empresas do setor.
A nanotecnologia desponta como uma alternativa também para empreendedores e profissionais do setor. No Brasil, os movimentos são bastante modestos e clama uma posição mais atuante dos pesquisadores, governo e empresários.
Publicado
em 01/07/2007
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NANOTECNOLOGIA PODE REVOLUCIONAR TRATAMENTO DE TUBERCULOSE
Por Fabio Dantas - Editor
A tuberculose é um problema de saúde global: matando a cada ano cerca de dois milhões de pessoas e contagia aproximadamente 8 milhões. Seu avanço é acelerado nos países pobres promovido, principalmente, pela precariedade dos sistemas de saúde e pela rapidez no desenvolvimento de resistência do organismo aos fármacos utilizados no combate à doença, entre outros fatores. Visando contribuir para o tratamento e controle da doença, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgão público federal vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, vem trabalhando na produção de nanopartículas poliméricas biocompatíveis capazes de carrear os tuberculostáticos e promover uma liberação pulmonar controlada e localizada dos tuberculostáticos.
O Brasil, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocupa atualmente o 16º lugar geral em casos de tuberculose no mundo (dados 2004). Esse problema não resulta apenas de dificuldades econômicas, mas também de deficiências tecnológicas, culturais e de políticas públicas de saúde. Sob o aspecto tecnológico, o Brasil enfrenta restrições na produção de medicamentos tuberculostáticos e depende da importação da restrita oferta desses fármacos no mercado internacional.
Além disso, há pouco investimento em novos métodos terapêuticos para melhorar o tratamento, que atualmente envolve o uso de, pelo menos, três medicamentos, conforme a resposta clínica do paciente. A necessidade de ingestão diária de grande número de comprimidos e cápsulas aumenta a chance de esquecimento ou de abandono – causado também pela falta de medicamento nos postos de saúde –, colocando em risco o tratamento. A toxicidade, principalmente da pirazinamida e isoniazida, proporciona desconforto aos pacientes. Com o abandono do tratamento, o bacilo se torna cada vez mais resistente, elevando custos do tratamento e trazendo mais dificuldades ao paciente.
O trabalho realizado pelo INT (produção e avaliação física e química), em parceira com a Universidade Federal Fluminense (avaliação da biocompatibilidade e toxicidade) e a Universidade de São Paulo (avaliação de fagocitose de macrófagos), visa eliminar ou minimizar problemas detectados no tratamento. As nanopartículas poliméricas são para veiculação pulmonar por aerossóis e têm por objetivos aumentar a adesão do paciente pela veiculação de três tuberculostáticos em um único sistema e aumentar a eficácia dos fármacos com redução de dosagem. (aumento da absorção e ação local). O sistema proposto pelo projeto é fundamentado em nanopartículas de poliácido lático e copolímeros de ácido glicólico contendo rifampicina, isoniazida e pirazinamida, os três principais medicamentos do tratamento, permite levar os remédios às células sadias e infectada e permite a liberação in situ dos fármacos, o que representa um tratamento mais pontual, diretamente no pulmão, diminuindo os efeitos colaterais dos medicamentos.
Quem tiver interesse nesta pesquisa e suas linhas derivativas, entre em contato com Dr. Fabio Dantas pelo e-mail fdantas@int.gov.br.
Publicado
em 24/06/2007
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MEDICINA PERSONALIZADA: UMA NOVA FRONTEIRA DE CONHECIMENTO E OPORTUNIDADES
Por Fabio Dantas - Editor
O conceito de medicina personalizada ou genética é fundamentado na avaliação clínica e criteriosa do paciente mediante diagnósticos genéticos precisos, que possibilitam a prescrição de medicamentos personalizados conforme a carga genética do indivíduo.
Essa nova forma de medicina está ainda em gestação pelas grandes indústrias farmacêuticas. Entretanto, a sociedade está fazendo pressão crescente para que os medicamentos sejam cada vez mais seguros e eficazes, ou seja, há uma convergência dos anseios da sociedade para a medicina personalizada. Todavia, isso vai de encontro ao modelo atual de comercialização de produtos farmacêuticos que são baseados nos chamados “blockbusters drug”, ou seja, medicamentos que vendem em torno de US$ 1 bilão por ano e são associados a moléstias crônicas, comuns e associadas ao estilo de vida das pessoas (exemplo, o Viagra que rendeu em torno de $ 2,4 bilhões em vendas para Pfizer em 2003).
Atualmente, o desenvolvimento de um medicamento para ser posto no mercado beira os US$ 800 milhões. É natural que as indústrias farmacêuticas vejam com resistência o refinamento dos estudos para se chegar a uma terapia mais personalizada, visto que os custos se elevariam substancialmente. Infelizmente, o mundo dos negócios é frio e não há dúvidas que a implantação dessa nova filosofia levará o tempo suficiente para que os novos investimentos sejam amortizados e viabilizados.
Na verdade, o cenário atual é emblemático e retrata uma situação ao mesmo tempo complicadora para o mercado farmacêutico, mas também, cheia de oportunidades. Há a quebra de dois paradigmas. Primeiro, a forma como é desenvolvida atualmente os medicamentos, que trabalha com foco na eficácia e devem passar a ser altamente eficazes e seguros. Segundo, o modelo de divulgação e no mecanismo de conquista de consumidores que passará de genérico para individual ou personalizado, já que não se poderá dizer que determinado produto servirá para todos. Entretanto, essas novas circunstâncias podem levar a novos nichos de mercado e a um maior efeito de identificação e consolidação de marcas.
Algumas empresas farmacêuticas de grande porte já se movimentam no intuito de minimizar os custos do desenvolvimento desses novos medicamentos. O principal caminho tem sido a terceirização do desenvolvimento dos fármacos em seu estágio inicial, ou seja, no pré-clínico e/ou fases 1 e 2. Aproveitando esse momento, os indianos estão conseguindo fechar importantes negócios com companhias do tope da Eli Lilly. Logicamente, essas grandes empresas farmacêuticas não iriam arriscar projetos de grande monta se os indianos não tivessem as mínimas condições de infra-estrutura e pessoal qualificado para tal. Na verdade, a Índia hoje conta com grande quantidade de especialistas formados nas melhores universidades dos Estados Unidos e Europa. Além disso, contam com pessoas com grande experiência e oriundas de multinacionais do setor. Também, as instalações não deixam a dever das semelhantes encontradas nos grandes centros de pesquisa.
Para países como o Brasil, o advento da medicina personalizada vai diametralmente oposto às mazelas que há séculos rodeiam os brasileiros. Entretanto, o Brasil possui trabalhos em genoma de elevado nível técnico e a infra-estrutura instalada, aparentemente, permitem o aprofundamento das pesquisas voltadas para o desenvolvimento de kit de diagnósticos genéticos e medicamentos personalizados. De fato, não há como se esquecer dos problemas básicos, que passam até por ordem nutricional. Entretanto, somente um esforço de ações paralelas fundamentadas em investimentos na erradicação das doenças negligenciadas e no fortalecimento do aparato tecnológico e industrial poderá fazer frente a esse novo paradigma.
É claro que o atual aparato tecnológico do Brasil, está muito aquém do encontrado, por exemplo, na Índia. Não somente pela questão de infra-estrutura rarefeita e desestruturada, como também pela insuficiente e desfocada formação e encaminhamento de cientistas para o desenvolvimento de medicamentos. Há realmente que se fortalecer as instituições existentes (empresas e centros de pesquisa), promover a disseminação dos institutos de excelência, criar mecanismo de absorção da mão-de-obra formada e incentivar a formação de empresas incubadas com capital público, privado ou público/privado.
Como na nanotecnologia, a medicina personalizada vislumbra uma nova fronteira onde as oportunidades são renovadas por que os paradigmas tecnológicos e mercadológicos antigos são quebrados ou enfraquecidos. Ainda há tempo, se começarmos agora, neste momento.
Publicado
em 17/06/2007
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NANOTECNOLOGIA PODE REVOLUCIONAR TRATAMENTO DE TUBERCULOSE
Por Fabio Dantas - Editor
A tuberculose é um problema de saúde global: matando a cada ano cerca de dois milhões de pessoas e contagia aproximadamente 8 milhões. Seu avanço é acelerado nos países pobres promovido, principalmente, pela precariedade dos sistemas de saúde e pela rapidez no desenvolvimento de resistência do organismo aos fármacos utilizados no combate à doença, entre outros fatores. Visando contribuir para o tratamento e controle da doença, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), órgão público federal vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, vem trabalhando na produção de nanopartículas poliméricas biocompatíveis capazes de carrear os tuberculostáticos e promover uma liberação pulmonar controlada e localizada dos tuberculostáticos.
O Brasil, segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), ocupa atualmente o 16º lugar geral em casos de tuberculose no mundo (dados 2004). Esse problema não resulta apenas de dificuldades econômicas, mas também de deficiências tecnológicas, culturais e de políticas públicas de saúde. Sob o aspecto tecnológico, o Brasil enfrenta restrições na produção de medicamentos tuberculostáticos e depende da importação da restrita oferta desses fármacos no mercado internacional.
Além disso, há pouco investimento em novos métodos terapêuticos para melhorar o tratamento, que atualmente envolve o uso de, pelo menos, três medicamentos, conforme a resposta clínica do paciente. A necessidade de ingestão diária de grande número de comprimidos e cápsulas aumenta a chance de esquecimento ou de abandono – causado também pela falta de medicamento nos postos de saúde –, colocando em risco o tratamento. A toxicidade, principalmente da pirazinamida e isoniazida, proporciona desconforto aos pacientes. Com o abandono do tratamento, o bacilo se torna cada vez mais resistente, elevando custos do tratamento e trazendo mais dificuldades ao paciente.
O trabalho realizado pelo INT (produção e avaliação física e química), em parceira com a Universidade Federal Fluminense (avaliação da biocompatibilidade e toxicidade) e a Universidade de São Paulo (avaliação de fagocitose de macrófagos), visa eliminar ou minimizar problemas detectados no tratamento. As nanopartículas poliméricas são para veiculação pulmonar por aerossóis e têm por objetivos aumentar a adesão do paciente pela veiculação de três tuberculostáticos em um único sistema e aumentar a eficácia dos fármacos com redução de dosagem. (aumento da absorção e ação local). O sistema proposto pelo projeto é fundamentado em nanopartículas de poliácido lático e copolímeros de ácido glicólico contendo rifampicina, isoniazida e pirazinamida, os três principais medicamentos do tratamento, permite levar os remédios às células sadias e infectada e permite a liberação in situ dos fármacos, o que representa um tratamento mais pontual, diretamente no pulmão, diminuindo os efeitos colaterais dos medicamentos.
Quem tiver interesse nesta pesquisa e suas linhas derivativas, entre em contato com Dr. Fabio Dantas pelo e-mail fdantas@int.gov.br.
Publicado
em 24/06/2007
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PARA QUEM DESEJA SER COLUNISTA
Essa coluna é semanal, com uma nova edição todos os domingos, salvo em ocasiões extraordinárias. Quem tiver interesse em escrever para essa coluna, mande seu artigo para tqfsite@tqfsite.eng.br com o respectivo currículo anexado. As áreas de interesse são: farmácia, biologia, bioquímica, ambiental, relações profissionais, segurança do trabalho, síntese química e biológica, análises clínicas, farmacologia, legislação, logística, engenharia de produção, engenharia de manutenção, patentes, nanotecnologia, processos produtivos, toxicologia, biomateriais, análises químicas, qualidade, entre outras. Todas devem estar dentro do escopo dos setores químico-farmacêuticos e Cia. O texto deve ser direto e objetivo.
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DICAS PARA ESCREVER UM BOM CURRÍCULO
Por Fabio Dantas - Editor
O currículo, além de ser um relato da vida profissional, também descreve um pouco da personalidade da pessoa e da sua capacidade de expressão. Após dois anos montando currículos para o TQFsite, notamos claramente essas características. Neste artigo, vamos abordar algumas questões que devem ser observadas na hora de montar um currículo de sucesso.
Ainda é comum encontrar pessoas seguindo o padrão formulário encontrado em papelarias, bancas e alguns sites. Deve-se ter cuidado, pois, a não ser que seja cadastro da própria empresa, esses “currículos formulários” são extremamente impessoais, dão informações desnecessárias e impossibilitam a expressão do profissional. Para evitar equívocos, recomendamos com base em nossa experiência, a seguinte estrutura básica: nome do autor, dados pessoais, introdução ou apresentação, objetivo, formação profissional, experiência profissional, cursos, idiomas, qualificações, publicações, observações.
Vejam as descrições de cada tópico a seguir:
- Nome do autor
O nome deve estar em lugar de destaque e no início do currículo. Letras em caixa altas se destacam melhor, pode-se usar cor diferenciada. Para currículos longos, pode-se colocá-lo como cabeçalho em cada folha acompanhado de uma numeração discreta no rodapé.
- Dados pessoais
Deve-se evitar colocar número de documentos. Esses dados geralmente são fornecidos no momento da contratação e devem estar regularizados para evitar surpresas desagradáveis.
Dados tais como estado civil, naturalidade, número de filhos, não-fumante devem ser colocados quando solicitados porque são dados que caem na mesma questão dos documentos pessoais. Entretanto, a idade deve ser citada ou datada ou se possui alguma deficiência.
O endereço é importante informar por que muitas empresas contratam pela localização da residência do futuro funcionário, pois isto envolve custos de transporte e dificuldades de locomoção.
No caso do telefone de contato, opte sempre por celular, pois o contato é direto. Entretanto, a linha fixa é uma opção a mais para falar com o candidato e também confirma o seu endereço e residência. Um erro comum aqui é a pessoa não indicar o DDD. Para cidades pouco conhecidas, obriga o empregador consultar uma lista telefônica.
O e-mail é a forma mais versátil, barata e moderna de comunicação e deve ser indicado sempre. Todavia, procure indicar um e-mail específico para essa finalidade, principalmente quando publicado em internet. Erros comuns são e-mail com erros de digitação, com caixa postal sempre cheia e com proteção anti-span mal configurada ou inespecífica (exemplo, o sistema anti-span UOL).
- Introdução ou apresentação
Mesmos para pessoas novatas no mercado de trabalho, a apresentação por escrito retrata um pouco de sua educação, personalidade e objetivos. O texto deve ser sucinto e discorrer a pessoa em termos pessoais e profissionais com sutil indicação dos objetivos e interesses pela empresa.
- Objetivo
No objetivo, a pessoa deve citar por extenso qual a área desejada para trabalhar. É deselegante a citação direta, por exemplo, “Objetivo – Controle da Qualidade”. Descreva sucintamente que tem interesse em tal área por que tem experiência, perfil ou se identifica com trabalho.
- Formação profissional
Devem ser citados todos os cursos profissionalizantes de longo período (cursos técnicos, graduação e pós-graduação) que foram ou que estão sendo realizados pelo candidato em ordem cronológica decrescente. Também, indique o nome das instituições de ensino, cidade, data de término ou conclusão. Para estudante, citar o período ou o ano corrente de estudo.
Para pessoas que possuem diploma em áreas dispares, deve citar essas formações se tiverem estreita relação com vaga de emprego desejada, ou seja, em concordância com os objetivos profissionais.
Evite citar os estudos fundamentais. Exceção se for fundamental para o emprego ou trabalho em questão.
- Experiência profissional
Esse é um ponto crítico do currículo, mesmo para pessoas mais experientes. A regra básica é: informe tudo o que você fez, onde, quando e como de forma objetiva e resumida. Cite o nome da empresa, período de trabalho, localização, cargo e funções exercidas. Destaque atividade que foram importantes para empresa que trabalhou ou trabalha. Coloquem em ordem cronológica inversa essas atividades e cargos.
Dependendo do cargo, mais detalhamentos das atividades devem ser necessários. Por exemplo, para consultores e altos cargos de chefia, deve-se anexar projetos e trabalhos realizados com os respectivos resultados, período de realização, balanços financeiros, resultados comerciais e técnicos, etc.
Para pessoais sem experiência, não coloque atividades profissionais de áreas sem afinidades com a função desejada. Por exemplo, procura-se o primeiro emprego como técnico em química e apresenta experiência como escriturário. Se não tem experiência na área desejada, não site esse tópico.
Quando a pessoa já tem muita experiência e deseja mudar de ramo, isso deve ficar claro na introdução e nos objetivos. Neste caso, deve-se citar a experiência anterior se o candidato achar que será útil para o novo emprego pretendido.
- Cursos
Semelhante ao tópico de formação profissional. Mais uma vez, devem ser colocados cursos que ressonem com os objetivos profissionais.
Cite apenas cursos com diploma ou certificados.
Cursos mais longos devem se citadas a carga horária.
Participação de seminários pode ser colocada também.
- Idiomas
Aqui você deve citar o idioma que conhece e comentar a que nível você está, ou seja, é básico, intermediário ou avançado. Cite as escolas de idiomas cursadas ou a forma de aprendizado (autodidata, com os pais estrangeiros, etc). Algumas pessoas possuem maior habilidade em ler, falar ou escrever. Cite no que você é melhor. Também, experiências no exterior devem ser colocadas.
- Qualificações
Esse é um tópico optativo e engloba tudo aquilo que você é capaz de fazer ou que foi desenvolvido pela experiência de vida pessoal e profissional e julgue serem úteis para a vaga de emprego desejada. Por exemplo, liderança, capacidade de negociação, criatividade, companheirismo, capacidade de inovar, entre outras coisas.
A pessoa deve ser sincera, pois essas características poderão ser avaliadas pela equipe de RH das empresas. Também, deve-se ter o cuidado para não entrar em contradição com a apresentação e com os objetivos.
- Publicações
Para pessoas ligadas ao ensino ou áreas intelectuais, a citação de publicações é fundamental para o sucesso do currículo. Aconselha-se seguir a Norma ABNT NBR 10520 e em ordem cronológica inversa.
Quando pertinentes à área objeto, pessoas que fogem a regra acima, podem citar suas publicações.
- Observações
Neste tópico, devem ser citados pretensão salarial, possibilidade de viagens, possibilidade de trabalhar fora da sua região, se porta alguma deficiência e qualquer coisa que não caberia nos tópicos anteriores e que são julgadas importantes pelo candidato.
Não é demais comentar que o candidato deve escrever usando um português correto e sem erros ortográficos ou de digitação. Se o currículo for pelo correio, abrigue-o em uma capa dura. O uso papel reciclado pode causar uma boa impressão. Use papel glossy ser for colocar uma fotografia. Se for e-mail, envie o anexo preferencialmente em PDF livre apenas para leitura e impressão. Procure “layouts” alternativos, porém, elegantes (esses modelos podem ser encontrados facilmente na internet pelo Google). Use capas somente para currículo com muitas páginas.
No caso de documentos com fotos, prefira fotos naturais de qualidade levemente perfilada pegando o tronco e em roupas discretas. Logicamente, a forma de apresentação depende do nível da função requerida e da filosofia da empresa. Deve-se ter muito cuidado. Na dúvida, não coloque fotos.
Para finalizar, procure conhecer bem a empresa para a qual está enviando o currículo. Procure preencher o currículo com as informações que julgue necessárias para o perfil desejado da vaga e de acordo com as características da empresa. A título de exemplo, como você faria um currículo para trabalhar como gerente na Google e como gerente no Vaticano. Observem que são perfis completamente diferentes, mas é comum o tratamento sem critérios.
Publicado
em 10/06/2007
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INTRODUÇÃO A FISIOLOGIA
Por Samuel Lamorea
Como definido no artigo anterior, um órgão é um agregado de células diferentes, com forma e função definidas, muitas vezes um mesmo órgão pode ser formado por diferentes tipos de células que se diferenciam morfologicamente e funcionalmente, porém a função geral do órgão quase sempre é bem determinada, por exemplo podemos citar o pâncreas, que embora seja formado por vários tipos de células, possui duas funções vitais, o pâncreas endócrino (que produz os hormônios insulina a glucagon), e o pâncreas exócrino que produz o suco pancreático, auxiliar na digestão. Então fisiologicamente, o pâncreas é um órgão que produz 2 (dois) hormônios e o suco pancreático.
Então sabemos que os tecidos têm funções especificas e para que continuem a funcionar necessitam da capacidade de se reproduzir e se regenerar. É aqui que entra a Fisiologia, posteriormente a Patologia e finalmente a FARMACOLOGIA.
O organismo humano para desempenhar suas funções necessita que as condições físico-quimicas das suas células permaneçam constantes, ou seja, cada célula agrupada em tecidos exercem funções que colaboram na manutenção dessas condições constantes, por exemplo: os rins com suas unidades morfofuncionais-células especializadas possuem vias metabólicas cuja função primordial e a manutenção da constância das concentrações iônicas (os rins colaboram com o equilíbrio do organismo na manutenção das concentrações hidroeletroliticas). Qualquer desequilíbrio na fisiologia normal destas células instala-se um processo patológico que irá desorganizar as concentrações hidroeletroliticas de todas as células do organismo, podendo levar a retenção de líquidos ou sais no sangue, ou nos tecidos ou desequilíbrio entre as concentrações ideais de íons nas células.
Portanto a Fisiologia estuda como o organismo mantem as condições celulares constantes através de processos metabólicos, daí fala-se em fisiologia cardíaca, por exemplo, onde se estuda como as células que compõe o coração trabalham de forma harmoniosa para que o coração exerça sua atividade principal, que é de uma bomba contrátil (do ponto de vista mecânico), capaz de suprir todas as células do organismo com oxigênio e nutrientes. Porém para que o coração funcione normalmente vários processos fisiológicos estão em ação ao mesmo tempo, por exemplo, a geração do impulso elétrico pelo nó sinoatrial, a condução deste impulso e a interação do impulso elétrico com as fibras contrácteis cardíacas gerando assim o ciclo cardíaco. Então podemos entender por estes exemplos que quando a fisiologia de um órgão (aqui como sinônimo de funcionamento normal) se altera por qualquer fator, o equilíbrio destas células em questão não se mantem, causando assim um processo patológico.
Quando há um desequilíbrio nas condições constantes das células que conduzem o impulso elétrico do nó sinoatrial para as células contrácteis cardíacas, certamente as células contrácteis irão ter uma função diminuída ou exarcebada, mas nunca nos parâmetros ideais de equilíbrio, gerando uma patologia cardíaca de condução ou de contractilidade. TALVEZ AÍ A FARMACOLOGIA POSSA ENTRAR ???
Publicado
em 04/12/2006
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O QUE SÃO TECIDOS?
Por Samuel Lamorea
Na coluna anterior, definimos medicamentos, e falamos que o principio ativo adequadamente pesquisado e trabalhado (usa-se técnicas de preparação para o medicamento ser usado terapeuticamente), irá interagir com um organismo vivo, no nosso caso o humano, influenciando processos fisiológicos, tendendo a normalização do funcionamento de um órgão que foi acometido de algum processo patológico.
Mas o que são órgãos? Embora tenhamos uma definição clara do que sejam órgãos, vamos definir de uma maneira mais adequada para que possamos assim entender nosso corpo e questionarmos as ações terapêuticas que dizem respeito a nós e aos nossos familiares. Conhecimento sobre nosso corpo é algo importante para que possamos entender ainda que de forma mais simples o que nos acontece e o que nos é receitado. Educação em Saúde entendo ser uma maneira de formar pessoas conscientes para o exercício pleno da cidadania iniciando no direito de saber que medicamentos vai usar, de como tais medicamentos irão afetar a sua saúde (de formas benéficas e também possíveis efeitos colaterais).
Órgãos são estudados pela HISTOLOGIA, então um Histologista é um profissional que se dedica a estudar a forma, composição e funcionamento de órgãos humanos. Definiremos então órgãos como uma coleção de células arranjadas de uma maneira ordenada, de acordo com suas funções resultando em uma forma bem definida, com uma função bem definida, daí trabalharmos com a correlação morfo-funcional. Convêm notar que um órgão não é formado via de regra por um único tipo de células, vários tipos celulares estão presentes na arquitetura de um órgão, porém sempre podemos resumir as funções deste órgão de maneira que mesmo sendo formado por diferentes células elas funcionam tão harmoniosamente que um órgão possui poucas funções em relação a sua complexidade celular, portanto são altamente especializados. Um órgão que é de particular importância para a farmacologia é o intestino, que é formado por várias porções com composição celular diferente, portanto estrutura diferente e funções diferentes, mas ainda assim todo o conjunto chamado intestino possui praticamente (para nós o que é vital!), a mesma função de absorção de nutrientes e fármacos.
Definimos que órgãos são formados por células que se agrupam de maneira ordenada para executar uma função específica, então hoje a definição mais importante é a correlação morfo-funcional de células agrupadas em órgãos, e são nestes órgãos que os fármacos irão atuar, porém até chegar neles a aventura é longa! (mas fascinante para discutirmos de maneira leve e agradável). Esta ordem histológica é definida geneticamente, ou seja, os genes (que possuem nosso material genético-DNA), irão se manifestar adequadamente em tempo adequado para que as células se multipliquem e formem os órgãos (uma consulta a um manual de Embriologia certamente irá esclarecer estes processos de diferenciação celular).
E depois de formado os órgãos, continuam a produzir células? Sim, eles continuam por outros processos. E quando ocorre algo de errado nestes processos de produção de células?. Iremos entender melhor quando entrarmos na Fisiologia e Patologia de uma maneira bem simplificada.
Publicado
em 20/11/2006
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USO RACIONAL DE MEDICAMENTOS
Por Samuel Lamorea
Sendo este o nome da coluna, inicialmente devemos definir alguns termos, para que desde o inicio, possamos compreender qual o objetivo de abordar tal assunto. Assunto que tem uma grande importância para a saúde da população, pois diz respeito a administração de medicamentos.
Devemos ter em mente que medicamentos são realmente os grandes aliados na promoção da saúde, e que a despeito de outros problemas que afetam a saúde (falta de saneamento básico, por exemplo), podemos afirmar que sem as grandes descobertas dos grupos farmacológicos existentes a expectativa de vida seria muito menor do que é atualmente.
Porém, se as colocações terminassem no parágrafo anterior a conclusão seria que os medicamentos por si só seriam a chave para a promoção da saúde, e é exatamente neste ponto que as coisas ficam um pouco complicadas. Devido exatamente as intensas pesquisas em fármacos e medicamentos (será melhor explicado futuramente) e a grande oferta destes nas farmácias é que o título deste artigo ganha importância.
A conclusão que se tem até aqui, é que sem a descoberta dos grandes grupos farmacológicos a humanidade perderia certamente qualidade de vida, imagine apenas por um instante a vida sem os simples analgésicos (na verdade nada simples!!), uma infecção de garganta em nossos filhos sem os antibióticos poderiam ter índices de mortalidade altos (assim era antes destes medicamentos!).
Uma vez constatada a importância dos medicamentos para a humanidade, também tocamos no assunto nas pesquisas e descobertas em fármacos e medicamentos, resta então introduzir a questão COMO APROVEITAR TODO O POTENCIAL BENÉFICO DOS MEDICAMENTOS? A resposta longe de ser simples, acredito que é exatamente o objetivo desta coluna.
Entender conceitos que nos farão COMPREENDER como podemos nos beneficiar das maiores descobertas da ciência sem que tal fato venha a nos prejudicar, ou seja, nosso objetivo introdutório é exatamente fazer com que possamos refletir nas seguintes questões: Do lado dos profissionais prescritores, como anda o cuidado na escolha de um medicamento para seus pacientes? Que critérios são adotados antes de assinar uma receita? Do lado dos pacientes, será que não falta programas de educação para a administração de medicamentos? Talvez a população melhor informada sobre seu tratamento não seria beneficiada?.
Por fim, ressaltamos que este trabalho tem por objetivo trazer estas e muitas outras questões aparentemente técnicas, mas que influem em nossa saúde, logo são questões acima de tudo de interesse de todos, acabo então com duas perguntas: SERÁ QUE O MEDICAMENTO QUE TOMO É REALMENTE O MELHOR? SERÁ QUE ESTOU ADMINISTRANDO ELE CORRETAMENTE PARA PROMOVER MINHA SAÚDE?
Publicado
em 05/11/2006
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TRANSPORTE ATRAVÉS DA PELE
A pele é um dos maiores órgãos do corpo humano, correspondendo a 16% de seu peso (Figura abaixo). Recobre o corpo protegendo-o da perda excessiva de água, do atrito e dos raios ultravioletas do sol. Também recebe estímulos do ambiente e colabora com mecanismos para regular a temperatura corporal.

A pele pode ser dividida em epiderme, derme e hipoderme. A epiderme é formada por um revestimento de camadas de células sobrepostas, sendo que as células superficiais são achatadas e compõem uma camada córnea rica em queratina. Sua espessura varia de acordo com a região do corpo. As células empilhadas não são todas iguais: a camada mais superficial é o extrato ou camada córnea. Mais abaixo se encontram as camadas granulosa, espinhosa e basal. O pH varia de 4,5 a 5,5. A derme é o tecido conjuntivo sobre o qual se apóia a epiderme, de espessura variável, atingindo o máximo de 3 mm nas plantas dos pés. O limite da derme com a epiderme é formado por saliências, as papilas dérmicas (camada papilar), que correspondem a reentrâncias (cavos) na epiderme. A camada papilar, com limites pouco nítidos, continua com uma camada mais profunda e mais espessa, chamada de camada reticular. A hipoderme é a camada mais profunda. Na hipoderme há também tecido adiposo, cujas células armazenam a gordura subcutânea. É formada por um tecido conjuntivo frouxo que serve para unir, de maneira pouco firme, a derme aos outros órgãos do corpo, permitindo que a pele tenha certo grau de deslizamento, variável com a região do corpo.
O grande problema tecnológico encontrado por aqueles que desenvolvem produtos para pele, principalmente, cosméticos e medicamentos, é prever ou estimar a absorção de substâncias ativas. Por isso e devido à sua inerente complexidade estrutural, a pele é alvo de estudos cada vez mais complexos. Desde os estudos pioneiros de Rein, em 1924 (Rein, H (1924), Experimental studies on electroosmosis in surving human skin. Z. Biol. 81, 125-140) até o presente momento, houve uma grande evolução nos estudos para determinar os principais mecanismos de transporte através da pele. Até o momento, as pesquisas indicam três mecanismos passivos a saber:
a) difusão intercelular;
b) difusão transcelular através dos queratinócitos e camadas lipídicas;
c) difusão através do folículo capilar e dutos de suor.
Com base nestes mecanismos, diversos modelos de transportes através da pele foram criados nos últimos anos. O primeiro modelo consistente foi feito por Flynn (Flynn, G.L. (1990) Physicochemical determinants of skin absorption. In Principles of route-to-route extrapolation for risk asessment (Gerrity, T.R. and Henry, C.J., eds), pp. 93–127, Elsevier Science) que primeiro estipulou que a capacidade de penetração na pele está relacionada ao coeficiente de partição octanol-água, o koct. Contudo, esse modelo foi muito criticado devido à falta de acurácia dos resultados e, consequentemente, na baixa confiabilidade da previsão do coefiente de partição na pele, o kp ou log kp. Posteriormente, apareceram modelos fundamentados em peso molecular, estruturas funcionais, elétrons pi, porém, todos de aplicabilidade limitada. Contudo, com o surgimento de técnicas de correlação quantitativa estrutura-atividade (QSAR, Quantitative Structure-Activity Relationship) houve uma melhoria nos modelos. O QSAR usa modelos matemáticos e técnicas computacionais para analisar a ação sinérgica de propriedades tais como interações intermoleculares, estrutura química, coefiente de partição koct, peso molecular e mecanismo de difusão específicos.
Dentro da lógica QSAR, pode-se citar os seguinte modelos de uso corrente:
- Análise do componente principal (PCA, Princinpal Component Analysis ).
- Difusão através do volume livre laretal e difusão através dos poros e junções.
- Análise probabilística.
- Modelagem Fuzzy.
- Modelagem de rede neural artificial.
- Cromatografia compartilhada biomicelar.
Não existe técnica que seja uma panacéia, mas dependendo da estrutura da molécula ativa e do nível de penetração desejada na pele, certos modelos são mais adequando que outros. O modelo cromatografia compartilhada biomicelar é bastante útil para o desenvolvimento de fármacos porque pode prever o efeito do pH na absorção pela pele de substâncias protonáveis .
Em resumo, o trabalho de pesquisa e desenvolvimento com produtos ou substâncias que necessitam penetrar na pele e, em muitos casos, chegar aos vasos capilares não é trivial. Como o estudo in vivo ou in vitro dos coeficientes de transportes costumam ser onerosos e de aplicação restrita, o uso de modelos preditivos é extremamente importante do ponto de vista econômico e técnico-científico por otimizar e acelerar o desenvolvimento de novas substâncias e produtos e dar luz ao entendimento da absorção de sustâncias conhecidas, principalmente, aquelas com elevada toxicicidade. Cabe escolher o modelo que melhor se aplique ou adapte aos objetivos traçados.
Publicado
em 30/06/2006
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EMPREGO, TRABALHO E OPORTUNIDADES

1 – Introdução
A questão do emprego é um problema mundial. Mais contundente nos países em desenvolvimento, mas é um problema que aflige a todos. O emprego não pode ser visto com óticas singulares, mas sim como conseqüência de diversos fatores ou agentes sociais, políticos, tecnológicos e econômicos.
No Brasil, esses fatores têm contribuído de forma corrosiva para o desenvolvimento do país. Traçando um paralelo entre as nações mais desenvolvidas, percebe-se claramente que devido a uma série de equívocos estratégicos que demoraram a ser corrigidos (alguns ainda nem o foram), impediram o pleno desenvolvimento do Brasil ou, pelo menos, impediram a escolha de uma área de atuação mais condizente com as potencialidades do país.
Há inúmeros problemas que podem explicar a situação atual. Citar-se-ão os principais pontos críticos na conjectura atual no intuito propor algumas alternativas aos profissionais que procuram emprego ou novas oportunidades.
2 - Baixo Crescimento Industrial
Além de outros fatores que serão citados adiante, o baixo crescimento industrial do Brasil tem sido um a mola mestra para a manutenção do baixo número de empregos. Esse problema é fundamentado na ausência de investimentos na cadeia produtiva, baixo consumo e pouquíssimo aparecimento de produtos inovativos.
Os empresários ou acionistas só fazem investimento quando o retorno do capital empregado e o lucro têm certo grau de segurança ou certeza. Às vezes, os investimentos visam fatores intangíveis, como alterar positivamente a imagem da empresa perante seus clientes e a sociedade, o que não deixa de ser uma forma indireta aumentar os lucros. Entretanto, a empresa precisa ter um ambiente favorável, entre eles, um mercado consumidor interno forte e estabilidade e adequabilidade de políticas econômicas. Tirando a estabilidade econômica, o Brasil é sofrível nos fatores de mercado consumidor forte e adequabilidade econômica. Com os baixos salários e uma massa de desempregados crescente, o mercado interno consumidor não é garantia. Por suas vez, juros altos e a ausência de uma política industrial agressiva, versátil e bem estruturada, inibem os investimentos industriais e de serviços em áreas tradicionais e, muito menos, em áreas de alta tecnologia.
3 - Educação equivocada e ineficiente
Colocando uma lente sobre o problema citado anteriormente, podemos ver que suas raízes estão na educação. Um povo sem educação pouco pode ajudar o seu país. Para ter cabeças pensantes e competentes, todos devem ter uma educação completa, pelo menos, técnico-profissionalizante fechando o ciclo do segundo grau. Para aqueles que desejassem continuar, as faculdades e as universidades deveriam ter currículo atualizados com mercado. Além disso, os alunos deveriam ser estimulados a serem empreendedores ou agentes de transformação através do conhecimento de seus potenciais e de uma visão mais holística do seu meio. Embora, sob o ponto de vista da eficiência, esses estímulos deveriam ser iniciados no jardim de infância.
A educação equivocada e ineficiente é um problema bastante complexo, mas contornável na medida em que a sociedade torna-se ativa no intuito de mudar o quadro. A sociedade pode começar a se organizar em pequenos grupos e estes em grandes até que se consiga uma consciência mais ou menos homogênea.
Em suma, como a educação é precária, não há base para o surgimento de uma cultura inovativa. Por conseguinte, não há geração de empreendedores ou mesmo de pessoas sensíveis ao aspecto inovador gerando como conseqüência uma sociedade engessada a conceitos conservadores.
4 - Capacitação Técnica
Embora notório saber que quanto mais você conhecer mais você pode, alguns profissionais esquecem-se que o mundo está em constante transformação. Não há apenas transformação técnica, mas também de ordem social. Essas transformações podem ser resumidas nos seguintes exemplos:
- Quebra constante de paradigmas tecnológicos - O acirramento da competição entre empresas vem promovendo uma maior freqüência de novidades tecnológicas no mercado. Isso tem encurtado o tempo da concepção da idéia ao surgimento da inovação tecnológica. Também, as pesquisas científicas estão mais voltadas para os anseios da sociedade ou do mercado e isso foca e acelera a criação de novos produtos. Por outro lado, esse fenômeno criar uma acorrida tecnológica que somente as empresas com grande aporte de capital ou extremante criativas conseguem se manter no mercado.
- Novas técnicas de gerenciamento – As empresas estão constantemente procurando otimizar suas atividades com vista a minimizar os custos ou atrais mais clientes. Esse fato por si só já traz o bojo da inovação e mudanças estruturais na empresa. Muitas destas técnicas preconizam o uso de sistemas de controle automáticos, novas técnicas, equipamentos modernos e automáticos, estruturas com pouca intervenção humana, uso de novos materiais, novos espaços, novas localidades e novas pessoas (leia-se novos pensamentos e capacitação).
- Mudanças de legislação – Estas mudanças também refletem os anseios da sociedade ou são frutos de pesquisas científicas que ditam novos parâmetros (ou conceitos) para produtos ou procedimentos, sejam eles novos ou antigos. A empresa deve está sempre se antecipando às mudanças na legislação, sendo pró-ativa. Para tal, precisa ter um corpo técnico antenado com a sociedade. Nos últimos anos, as empresas farmacêuticas vêm instituindo o setor de assuntos regulatórios, que é reflexo dessa preocupação crescente com a legislação.
4 – Estratégias para se manter empregado ou com trabalho
Como foi visto, há uma série de fatores que agem sinergicamente para inibirem a geração de novos empregos e acabarem com os atuais. Todos os fatores citados indicam que não há alternativas fáceis, ou pior, não podem ser controlada com simples equacionamentos. Isso deixa muito vulnerável a maioria das pessoas.
Na atual conjectura, o profissional que entra no mercado tem que possuir uma formação muito elaborada. Além da graduação, o profissional precisa possuir conhecimentos de línguas, informática, pós-graduação e alguma experiência na sua área de atuação (geralmente adquirida em estágios profissionalizantes).
Alguns pesquisadores citam que o emprego no mundo está acabando. De fato, em algumas áreas é contundente o desaparecimento de posto de trabalho, simplesmente porque determinada tecnologia ficou obsoleta e foi substituída. Na verdade, somente o trabalho é crescente e vem permitindo a manutenção de alguns empregos e surgimento de outros, porém em menor grau como em outras épocas.
Diante desses fatos, a primeira providência para quem está desempregado é tentar resgatar e ampliar a sua rede de conhecidos ou conhecimento da sua área de trabalho. O profissional deve fazer a manutenção constante da sua agenda e ampliá-la. Para quem está começando agora, essa rede começa na própria faculdade mantendo um bom relacionamento com os colegas de classe. O estágio também é uma boa oportunidade para começar a rede. Essa rede é importante porque a maioria dos empregos não é publicada.
Outro ponto importante é estar em constante atualização. Sempre participe de cursos de atualização profissional mesmo que seja de ônus próprio. Também, participe de congressos, encontros e feiras. Esses eventos permitem aumentar sua rede de conhecimento e ampliar seus conhecimentos técnicos.
Sempre observe a área de atuação de sua empresa quanto à possibilidade de fusões, mudanças estruturais ou de tecnologias. Sempre esteja antenado no mercado buscando novas oportunidades de trabalho. Se você for experiente, tente ser empreendedor formando empresas ou dando consultoria. Se você for novo, procure entender melhor a sua área de atuação, busque ampliar seus conhecimento e capacitação. Todos devem ser pró-ativos, terem autoconhecimento e melhorarem sua capacidade de relacionamento interpessoal.
Ter um currículo atualizado, bem elaborado e focado para área de interesse da empresa que está contratando, é fundamental para o sucesso. A visibilidade em sites pagos ou gratuitos também é uma alternativa que não pode ser descartada. Aliás, a internet é um grande campo para garimpagem de emprego e oportunidades. Grupos como o Químicos&Farmacêuticos possibilitam o intercâmbio com milhares de profissionais que invariavelmente disponibilizam vagas, idéias e oportunidades. Desde sua fundação, o TQFsite também dedica três áreas voltadas aos profissionais, banco de currículos, banco de consultores e banco de empregos, além de uma página contendo agências de emprego dos principais estados.
Publicado
em 15/05/2006
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A
AVALIAÇÃO DE ADITIVOS DE FORMULAÇÃO
A
elaboração de produtos farmacêuticos, cosméticos,
alimentícios e outros pressupõem sempre a obtenção
de formulações estáveis, facilmente processáveis
e de baixo custo. Contudo, por desconhecimento ou no afã
de terminar o produto, alguns detalhes não são observados
e podem acarretar em problemas futuros ao produto e à empresa.
Atualmente
há uma discussão quanto o uso do benzoato de sódio
(preservativo, <0,1%) e ácido ascórbico (vitamina C
e anti-oxidante) em refrigerantes e bebidas em geral. A grande
questão é a formação de benzeno (cancerígeno)
pela ação do ácido ascórbico e catalisada
por íons metálicos, que formam peróxidos
(veja reação abaixo). Os íons metálicos
geralmente estão presentes como impurezas nos componente
da fórmula, por exemplo, na água.

Por
essas questões, o desenvolvimento de produto deve passar
obrigatoriamente por um estudo de compatibilidade e estabilidade.
Esses dois estudos nem sempre são fatos isolados. Geralmente
a compatibilidade está associada à estabilidade
do produto e vice-versa. Também, esses estudos nem sempre
estão associados ao produto principal, como é comum
acontecer. O estudo deve ser sistemático tanto com o produto principal
quanto com os demais componentes.
A
degradação ou incompatibilidade das substâncias
usadas em uma formulação pode ser englobada em quatro
processos: hidrólise (ou solvólise quando a água
não participa), oxidação, fotólise
e processos catalíticos.
Para
avaliar esses processos, alguns testes físicos
e químicos devem ser utilizados. Esses testes são
métodos que estressam as substâncias, a mistura parcial ou
o produto. Os resultados invariavelmente fornecem informações
importantes quanto à estabilidade e à compatibilidade
dos componentes da fórmula. Os principais testes são:
- Para sólidos – aquecimento e ciclo térmicos;
absorção de umidade; estresse físico (moinho
de bolas); câmara de oxigênio.
- Para líquidos e semi-sólidos – ciclos térmicos, variação
de pH, refluxo em meio ácido ou básico; luz ultravioleta
(254 e 366 nm) e visível à temperatura fixa; injeção
de oxigênio para testar a suscetibilidade à oxidação.
Embora
esses testes e os sugeridos pelos compêndios analíticos
ou da legislação sirvam como orientação,
eles não são imperativos e o formulador
deve conhecer bem as substâncias da formulação,
manter-se atualizado e sugerir novos testes de avaliação.
Para completar o estudo, o processo de fabricação deve
ser estudado quanto aos possíveis viés de estresse e contaminações do produto.
Para
maiores detalhes, consulte a home de trabalhos técnicos.
Referências:
-
FDA
- Chemical
& Engeneering News
- Aulton, ME, Pharmaceutics: The Science of dosage form design.ChurlChill
Livingstone, Nong Kong, 1988.
- J. Agric. Food Chem, 1993, 41, 693.
Publicado
em 26/04/2006
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NOVAS
CLASSES DE ANTIBIÓTICOS URGENTE
Os
antibióticos foram introduzidos na medicina na década
de 40 graças a Alexander
Fleming, que descobriu a penicilina. Desde então esses
fármacos têm trazido avanços consideráveis
no tratamento de infecções. Contudo, pela sua capacidade
de mutação acentuada, os microorganismos vêm
adquirindo rápida resistência aos antibióticos
atuais. Isto tem sido um problema de saúde pública
e tem se tornado freqüente e crescente em termos mundiais.
Estudos americanos indicaram que o estafilococos coagulase-negativa
(ECN), S. aureus e o enterococos são as principais bactérias
que apresentam resistência aos medicamentos convencionais
e estão geralmente associadas à infecção
hospitalar.
Os
estudos americanos também indicaram que 67% das infecções
são causadas por bactérias gram-positivas, 79% são
ECNs resistentes à meticilina, 28% S. aureus resistentes
à meticilina e 17% são entericocos resistentes à
vancomicina. Lembrando que a vancomicina é usada como
último recurso para tratar entericocos resistentes. Segundo
a Organização Mundial de Saúde (OMS)
95% das Staphylococcus aureus isolados no mundo são
resistentes à penicilina e 60% são resistentes à
meticilina. Para piorar a situação, também
dados da OMS, o número
de casos de resistência à tuberculostático
tem aumentado consideravelmente por causa da pandemia de AIDS.
Recentemente, pesquisadores da empresa farmacêutica Wyeth
isolaram as manopeptimicinas (figura abaixo) do complexo fermentado
pela Streptomyces hygroscopicus. Esses compostos são
ciclopeptídos glicosilados, ou seja, uma estrutura até
recentemente desconhecida pelos pesquisadores. Essa nova classe
de antibióticos apresenta ação contra estafilococos
resistentes à metilcilina e enterococos resistente à
vancomicina.

Manopeptimicinas
Embora
essa nova descoberta jogue uma luz de esperança no controle
de infecções resistentes, a ameaça ainda
tem grande potencial. Hoje três fatores agem contra ao controle
da resistência bacteriana:
- Capacidade de readaptação desses microorganismos
– O que proporciona uma guerra constante e necessidade de
estudos contínuos e alta integração entre
centros de microbiologia.
- Baixo investimento em pesquisas voltadas ao desenvolvimento
de novos antibióticos – Como já foi citado
nesta coluna, a indústria farmacêutica internacional
não tem investido neste setor por motivos diversos que
vão de disputa com genéricos à queda no consumo
pelo aumento do uso racional de antibióticos.
- Uso inadequado ou abusivo de antibióticos – Além
da automedicação, há casos de indicação
inadequada de antibióticos por dosagem ou por grupo. Isto
fomenta o aparecimento de bactérias resistentes, principalmente
em hospitais onde o coquetel de fármacos e de bactérias
é abundante.
O
quadro é alarmante e, apesar dos esforços de algumas
organizações governamentais e não-governamentais
de saúde, não houve grande alteração
neste quadro nos últimos 10 anos. Portanto, é urgente
o início de estudos de novos antibióticos aos moldes
do que foi visto durante a Segunda Guerra Mundial.
Publicado em 05/04/2006
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APLICAÇÕES FARMACÊUTICAS
DO AMIDO
O amido é usado como excipiente
farmacêutico primário em formas farmacêuticas
sólidas onde pode ser utilizado como agente aglutinante,
diluente e desintegrante. As suas vantagens são o baixo
preço e a alta biocompatibilidade. A desvantagem é
a baixa performance quando se necessita maior desempenho do excipiente.
Como diluente, o amido é
usado para preparação de dispersões sólidas
de corante ou pré-mistura de fármacos potentes para
uso no processo de mistura. O amido também é utilizado
como carga para preenchimento de cápsulas duras.
Em formulações
via úmida, o amido em goma pode vir na concentração
de 5-25% p/p. Neste caso, é usado como ligante ou aglutinante
nos processos de granulação. Neste processo, o amido
tem uma etapa anterior que é a formação da
goma. Esta etapa encarece e aumenta o tempo de processamento.
O amido como aglutinante pode dificultar a desintegração
do comprimido ao longo do tempo devido à perda de água.
Contudo, isso pode ser contornado no processo de desenvolvimento.
Por exemplo, garantir uma umidade residual e utilizar embalagens
com menor permeabilidade ao vapor d´água. O estudo
de estabilidade deve ser executado em estufa termorregulada sem
umidade para testar a eficiência da formulação
e da embalagem.
Embora atualmente pouco comum,
o amido pode ser usado como desintegrante de comprimidos na concentração
de 3-25%p/p. Neste caso, deve-se ter o cuidado porque o amido
pode gerar descabeçamento (formação de camadas
que se separam devido à falta de liga na massa comprimida,
principalmente na parte de contato com a punção
de compressão) e friabilidade ao comprimido. Portanto,
deve-se evitar altas concentrações e balancear com
excipientes de melhor compressibilidade, como a celulose microcristalina.
A desintegração é favorecida pela elevada
energia superficial que promove rápida e forte hidratação.
Quando a formulação
envolve fármacos caros, o uso de excipientes baratos, como
o amido, torna-se questionável. Entretanto, quando se trata
de fármacos de baixo valor agregado, as formulações
com amido são essenciais para reduzir custos. O amido em
formulação foi sempre questionado quanto a problemas
de contaminação microbiológica, porém,
sabe-se hoje que isso ocorria por falta de boas práticas
de fabricação.
Publicado em 19/03/2006
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AS
MIL E UMA FACES DO AMIDO
Como
vocês sabem o amido é a fonte de alimentação
mais abundante e importante do mundo. O amido é encontrado
principalmente em cereais e tubérculos. Além de
alimento, o amido tem inúmeras aplicações
entre elas: goma colante, agente aglutinante, suporte para crescimento
celular, agente anti-aderente, material de enchimento, embalagem
e filmes biodegradávies e medicamento (tratamento de diarréias
- solução de amido de arroz).
O
que faz o amido ter tantas aplicações? A reposta
está na sua estrutura química complexa. O amido
é encontrado na natureza em forma de grânulos e é
formado por duas estruturas poliméricas, amilose e amilopectina.
A amilose é um polímero linear de alfa-D-glicose
ligadas na posição 1-4 (fig.a). A amilopectina é
um polímero ramificado compostos por alfa-D-glicose ligadas
na posição 1-4 e as ramificações ligadas
ao carbono 6 (fig. b).

Figura
(a) - Amilose.

Figura
(b) - Amilopectina.
Por
ser linear, a amilose é a parte solúvel do amido.
A parte cristalina e insolúvel é promovida pela
amilopectina. A amilose tem a capacidade de complexar moléculas
apolares e, portanto, pode ser utilizada como carreador de substâncias
ativas hidrofóbicas. A amilopectina é responsável
pela capacidade de retrogradação do amido, ou seja,
a capacidade de recristalizar-se após geleficação.
O
amido sob ação de altas concentrações
de água e elevada temperatura pode gelatinizar e perder
completamente a sua capacidade de retrogradação.
Isto ocorre porque se quebra por completo o arranjo cristalino
da amilopectina. A retrogradação pode ser um problema
ou não dependendo da aplicação do amido.
Deve-se estudar detalhadamente o seu efeito nas formulações.
Após
a gelificação e secagem o amido tende a ser bastante
rígido. Contudo, isso pode ser contornado usando moléculas
lubrificantes como glicerol ou controlando a quantidade de água
residual. Em formulações sólidas, ocorre
frequentemente o endurecimento do produto devido a perda de água
durante o processamento ou na prateleira devido à embalagem
ou à condição inadequada de armazenagem .
No
mercado farmacêutico existem três graus possíveis:
comum, esterilizado (luvas cirúrgicas) e pré-gelatinizado.
Propriedades
típicas do amido pré-gelatinizado ( fonte: Pharmaceutical
Excipients):
-
Acidez/alcalinidade:
pH = 4.5-7.0 for a 10% p/v dispersão aquosa.
-
Ângulo
de repouso: 40.7°
-
Densidade
(bulk): 0.586 g/cm3
-
Densidade
(tapped): 0.879 g/cm3
-
Densidade
(true): 1.516 g/cm3
-
Fluidez:
18-23%
-
Viscosity
(dinâmica): 8-10 mPa s (8-10 cP) 2% p/v dispersão
aquosa a 25°C.
Publicado
em 15/03/2006
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UM
RETRATO DO BRASIL
No artigo desta semana iremos
colocar o perfil dos membros do TQFsite. Esse trabalho foi planejado
visando conhecer melhor o nosso usuário e promover a discussão
sobre atividades do site e entender melhor o nosso ambiente profissional.
O TQFsite hoje tem mais de 400
membros registrados, média de visitas diárias superior
a 100, utilizado por profissionais de várias áreas
e todos os cantos do Brasil. O site surgiu com os objetivos de
divulgar o conhecimento científico na área químico-farmacêutica
e afim e proporcionar um meio de divulgação profissional
dos usuários. O grupo realizado com sucesso esse objetivo,
apesar das dificuldades do dia a dia.
O primeiro perfil a ser avaliado
é a composição de membros por estado, ou
seja, quais estados brasileiros participam mais do TQFsite. Abaixo, veja a distribuição % de membreos do TQFsite por estado .

Os estados de São Paulo
e Rio de Janeiro representam aproximadamente 68% das participações.
Os estados do sul com 14,9%, destaque para o Paraná. Depois
pode-se citar Minas Gerais e Goiana, com 6,2% e 3,2% respectivamente.
Essas regiões equivalem a 92,3% do total de membros registrados.
Os resultados refletem uma realidade
nacional. Essas regiões estão onde se concentram
os principais pólos industriais do País (leia-se
riqueza) e onde há mais centros de formação
profissional. Não é difícil supor que o mesmo
resultado seria encontrado para outras áreas tecnológicas.
Isso é um fato notório, mas pouco se tem feito para
mudar esse quadro. Nos últimos anos, alguns estados (Paraná,
Goiás e Pernambuco) têm incentivado investimento
na área, mas são insignificantes para alterar a
conjectura atual. Sindicatos de empregados e patronais, acadêmicos
e membros do governo têm realizados debates profundos sobre
o tema, mas com poucos resultados práticos.
Isso é relativamente fácil
de entender quando se analisa o mercado químico-farmacêutico
sob a ótica de cada ator. Observar-se um confronto de interesses
e estratégias. As empresas multinacionais se preocupam
em vender commodities (produtos de grande volume de vendas)
e otimizar processos produtivos, as empresas nacionais (com raras
exceções) em maximizar os lucros e vender genéricos,
o governo em regular e recolher impostos, as universidades em
pesquisar isoladamente (com poucas exceções) e formar
profissionais sem sintonia com o mercado. As partes conversam
e se ignoram em seguida. É uma equação difícil
de resolver, já que as suas bases de complicação
são de cunho cultural e mercadológico. Portanto,
somente um intensivo e duradouro trabalho da sociedade para reverter
a deformação dessa realidade.
Mudando de foco, o segundo perfil
é a composição por área de formação
profissional, veja gráfico de distribuição a seguir. Essa distribuição
reflete fielmente o setor químico-farmacêutico. Como
era de se esperar, há uma predominância de formados
nas áreas farmacêutica e química, com 43%
e 36% respectivamente. Também, observa-se a contribuição
de diversas outras áreas de formação como
médicos, biólogos, psicólogos, administradores
e engenheiros, com 19% do total. Há também a participação
de profissionais “híbridos”, formados em farmácia
e química com 2%.

Esse resultado vem de encontro
com os objetivos do site, a multi ou interdisciplinaridade. Isso
ainda é tabu e precisa ser desmistificado. Em termos tecnológicos,
as áreas de formação citadas são complementares
e os trabalhos feitos isoladamente possuem a qualidade seriamente
prejudicada. Quando a empresa estimula o acesso à informação
e à participação de profissionais que trabalham
com um mesmo objetivo, ou seja, produzir um produto ou efetuar
um serviço, ela potencializa o sucesso de seus negócios.
Nesse caso, o problema é visto por diversas óticas
e, embora o processo fique mais lento, a qualidade do trabalho
é invariavelmente superior. Esse também é
um dos segredos de sucesso das empresas multinacionais. Nestas
empresas é comum encontrar grupos multidisciplinares compostos
por profissionais treinados e atualizados.
Ter uma equipe multidisciplinar
atuante é acima de tudo uma convicção cultural
e fruto de uma visão estratégica bastante apurada
das empresas que a implementam. Talvez, o surgimento de uma figura
mais central pudesse catalisar ou contribuir para esse processo,
como o surgimento do Engenheiro Farmacêutico. Ainda não
há uma graduação nesta área no país,
mas o surgimento de cursos e a sua regulamentação,
tornaria essa profissão mais um pilar de qualidade no setor
químico-farmacêutico.
Publicado em 07/03/2006
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PARA
ONDE VAI A PESQUISA E DESEVOLVIMENTO NO MERCADO FARMACÊUTICO
?
Nos últimos 10 anos, tem-se
observado um avanço forte nas fusões e aquisições
nas empresas do mercado farmacêutico. Vários fatores
vêm colaborando para esse fenômeno, entre eles:
a) Recrudescimento da legislação de saúde.
b) Aumento dos custos de P&D.
c) Necessidade de incorporação rápida de
novas tecnologias.
d) Competição de mercado.
Um estudo de mercado feito em
2004 pela
IMS Health, as 10 maiores companhias farmacêuticas do
mundo (Pfizer, GSK, Sanofi-Aventis, Merk e Co.,J&J, Norvatis,
AstraZeneca, Bristol-Myers Squibb, Roche, Abbott) corresponderam
a 39% do crescimento econômico do setor. Embora tenham diminuído
a participação quando comparado a 1998, 53%, o processo
de concentração de mercado continua. O ponto alto
dos últimos anos tem sido aquisições ou parcerias
com pequenas empresas de biotecnologia (PEB). Os fatores (b) e
(c) são os principais motivadores desse fenômeno
de mercado.
De fato, essas aquisições
e parcerias são um grande negócio para ambas as
partes. A grande empresa torna o risco de desenvolvimento muito
mais baixo porque escolhe produtos em fase avançada de
pesquisa, geralmente na fase II, e pode ter um leque maior de
produtos desta forma. A PEB, além dos ganhos imediatos
pela licença, venda ou parceria do produto, tem acesso
a toda infra-estrutura disponibilizada pela grande empresa.
Contudo, isso é um fenômeno
que precisa ser analisado com mais detalhes. Na verdade, quando
uma grande companhia incorpora ou cria uma parceria com uma PEB,
ela inibi a diversificação de mercado, já
que essa pequena empresa poderia ser mais uma opção
para os consumidores. Além disso, no caso de parcerias,
a PEB fica amarrada às estratégias de mercado da
grande companhia. Isso é um fator preocupante, porque aproximadamente
28% das vendas de medicamentos no mundo estão relacionadas
a doenças da vida moderna como o controle de colesterol,
depressão, coração, reumatismo e úlceras
gástricas. Portanto, doenças de países pobres
(malária, tuberculose, febre amarela, hanseníase,
etc) e mesmo novos antibióticos são economicamente
menos atrativas ou sem interesse.
Os antibióticos possuem
posição paradoxal no momento. Na verdade, tem havido
uma crescente demanda mundial por antibióticos, mas isso
não tem despertado interesse nas grandes companhias. Estima-se
compras de US$32 bilhões em 2010. (Ref.: Why is big Pharma
getting out of antibacterial drug discovery? Steven J Projan,
Current Opinion in Microbiology 2003, 6:427–430). A explicação
apresentada por analistas do mercado está na demanda reprimida
dado pelo incentivo ao uso racional de antibióticos, aumento
do mercado de genéricos e a complexidade no desenvolvimento
de novas moléculas. Em termos de mercado, pode fazer sentido,
mas com o crescente aparecimento de bactérias resistentes,
principalmente as chamadas multiresistentes (resistente a qualquer
antibiótico), isso pode se tornar um problema global.
Diante do que foi exposto, parece
que o P&D de novos medicamentos está refém da
lógica de mercado. Para agravar a situação,
algumas companhias tem reduzido ou eliminados setores ou unidades
de P&D. O último caso foi a Procter & Gamble Pharmaceuticals
que planeja dispensar em torno de 300 cientistas da sua unidade
em Mason, Ohio-EUA. A empresa focará os investimentos em
moléculas em fase II que estão sendo desenvolvidas
por PEBs. (Ref. Chemical
& Engineering News).
Com base neste quadro, dificilmente
haverá P&D significativo em outras áreas se
não houver intervenção da sociedade, no caso,
dos governos. Deve-se criar mecanismos que estimulem a continuidade
e diversificação das linhas terapêuticas tradicionais.
A saída mais plausível é o fortalecimento
de laboratórios estatais que foquem P&D nas doenças
negligenciadas pelo grande mercado farmacêutico. Porém,
é básico que a sociedade tenha profissionais qualificados,
políticas bem planejadas e gerenciadas e aporte contínuo
de financiamento (com foco na auto-suficiência). Em verdade,
é seguir a lógica das grandes companhias, entretanto,
centrada no interesse público.
Publicado em 01/03/2006
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DSC NA
AVALIAÇÃO DE MATERIAIS E SUBSTÂNCIAS
O conhecimento da
resposta física e química de substâncias ao
calor é de fundamental importância no desenvolvimento,
processamento, avaliação e controle de produtos
químicos, farmacêuticos ou cosméticos. Isto
porque qualquer substância ou material sofre ou sofrerá
um processo de solicitação térmica em sua
vida útil. A ação ou estresse térmico
pode aparecer de diversas formas: no transporte, na armazenagem,
no processamento e mesmo na análise química. Consequentemente,
o conhecimento das características térmicas da substância
é fundamental para conferir maior qualidade aos produtos.
A técnica mais comum para o estudo térmico de substâncias
é o DSC, Differential Scanning Calorimetry, ou,
em português, calorimetria exploratória de varredura
(para maiores informações sobre nomenclatura e outros
assuntos de análise térmica, acesse a ABRATEC).
O DSC mede a diferença
de energia fornecida à substância e a um material
referência, em função da temperatura enquanto
a substância e o material são submetidos a uma programação
controlada de temperatura. O resultado fica registrado na forma
de uma curva que representa a variação de energia
pela variação de temperatura. Por ser na verdade
uma radiografia térmica, o termograma de DSC pode ser utilizado
como uma forma de identificação complementar.
O DSC permite obter informações
referentes ao grau de cristalinidade, presença de impureza,
ponto de fusão, presença de água e outras
substância voláteis, temperatura de degradação
e estudo de polimorfismo. Outra grande vantagem do DSC é
a pequena quantidade de material utilizado para análise,
entre 5 a 15 mg.
Na hora da compra de um DSC,
deve-se levar em conta qual será sua aplicação.
No mercado, há diversos fabricantes e modelos importados.
Cabe analisar criteriosamente as necessidades da empresa. Contudo,
alguns pontos são importantes:
- boa assistência técnica - como em qualquer equipamento,
aqui também é fundamental porque os instrumentos
são complexos e de manutenção não
trivial.
- sensibilidade dos detectores - qual a quantidade de calor mínimo
detectado pelo equipamento, quanto menor, melhor, porém,
mais caros.
- acessórios - devem ser variados e de fácil instalação
e manipulação.
- software - deve ser fácil, interativo, flexível
e conter ferramentas variáveis e úteis.
- forno - rosbusto, rápido aquecimento e resfriamento e
modular.
- calibração - fácil e flexível.
Para quem se interessar em aprofundar
nesta técnica, na Biblioteca
Virtual há diversos artigos sobre esse assunto.
Publicado em 19/02/2006
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GARANTINDO
A FLUIDEZ DE PÓS E GRÂNULOS
Diferentemente
dos líquidos, os sólidos particulados, ou
seja, os pós e grânulos necessitam de uma série
de características físicas e químicas que
lhes permitam o escoamento com o mínimo de atrito. Alguns
fatores isolados ou conjuntos, como densidade aparente e real,
distribuição granulométrica, formato, formação
de carga e higroscopicidade, podem afetar drasticamente
as propriedades de fluxo do material.
Qual
importância de ter um material particulado sólido
fluído? Em regra, todo processo de transporte (não
pneumático ou hidrodinâmico), homogeneização
e reprodutibilidade de processo estão atrelados ao bom
escoamento das matérias-primas e da mistura final. No caso
de processos farmacêuticos, a baixa fluidez dos componentes
da matriz de mistura pode comprometer significativamente a processabilidade
e a uniformidade de conteúdo do produto.
Como
garantir então a fluidez? Há diversas técnicas
e estas são dependentes da característica física
e química das substâncias e do processo disponível.
A fluidez pode ser prontamente obtida esferonizando-se os materiais,
contudo, o material precisa de uma densidade mínima para
escoar. Há processos que permitem obter materiais relativamente
esféricos com densidade aparente elevada. A esferonização
por disco rotatório ("spheronizer")
permite obter materiais extrusados com alta densidade e excelente
esfericidade. A granulação por alto cisalhamento
("high
shear") confere uma densificação ao material,
além de misturar a massa. Porém neste caso, o formato
dos grânulos não é tão esférico.
O "spray
drier"é um processo que permite alta esfericidade
porém o material é pouco denso devido à aeração
promovida pelo processo.
Como
os processos descritos acima são geralmente caros e de
ajustes não triviais, o uso de substâncias lubrificantes
geralmente é o caminho mais fácil. As substâncias
lubrificantes podem agir de duas maneiras: entre as partículas
ou entre grupo de partículas. Quando o material é
muito áspero (ângulo de repouso alto) e outras técnicas
não funcionam, faz-se necessário uma lubrificação
mais íntima, ou seja, agir entre partículas. Quando
o material não é áspero (ângulo de
repouso intermediário para baixo), mas é muito denso
ou com grandes grânulos, o lubrificante deve agir entre
grupos de partículas. Os estearatos são particularmente
usados no primeiro caso. Por sua vez, o talco é particularmente
usado no segundo caso.
Em
algumas vezes, o uso da associação de lubrificantes
é possível. Contudo, como em qualquer formulação,
a avaliação criteriosa da processabilidade e da
estabilidade do produto final deve ser observada. Além
disso, como os lubrificantes são geralmente substâncias
hidrofóbicas (excessão PEG), a concentração
dos mesmo na mistura deve ser controlada para não prejudicar
a desintegração, dissolução ou processamento
do produto.
Publicado
em 14/02/2006
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DETERMINAÇÃO
DE TRAÇOS DE IMPUREZAS POR RMN (Ressonância Magnética Nuclear)
O
RMN é uma técnica analítica de alta precisão
usada para elucidar estruturas moleculares que contenham principalmente
carbono, hidrogênio, nitrogênio e oxigênio.
Portanto, ideal para determinação de estruturas
de moléculas orgânicas. De forma bastante simplória,
a técnica consiste em excitar os átomos de uma molécula
através de um campo magnético de alta potência
e medir a energia de inversão de spins. Como essa energia
é quantizada, ou seja, particular a cada tipo de átomo
e ao ambiente que o cerca, um espectro de RMN torna-se uma impressão
digital dos átomos da molécula, a identificando
com precisão.
Quais
as vantagens e desvantagens desta técnica? O grande diferencial
está no entendimento mais preciso da estrutura porque se
pode determinar e avaliar interações intra e intermoleculares.
A grande desvantagem está no custo do equipamento (>US$
500 mil), das instalações e da manutenção.
Por conta disso não se ver tão facilmente aparelhos
de RMN como espectrofotômetro de UV/VIS.
Apesar
dos custos, os equipamentos de RMN são indispensáveis
para a pesquisa e desenvolvimento de novas substâncias,
produtos e processos. No caso do desenvolvimento de produtos farmacêuticos,
a estabilidade do princípio ativo pode ficar comprometida
se determinada matéria-prima contiver um traço de
impureza, geralmente resíduo de solvente ou intermediário
de síntese. Essa impureza pode catalisar processos degradativos
no princípio ativo ou no excipiente promovendo não-conformidades
como escurecimento, mau cheiro, pigmentação, descoloração,
queda de teor e aumento de toxicidade. Neste caso, o RMN torna-se
um equipamento de grande valia, principalmente, no estudo de rota
de degradação.
Um
trabalho realizado por pesquisadores do departamento de química
da Bar-Ilan University,
, Israel, condensou os principais solventes que aparecem como
traços de impurezas. Neste trabalho, encontramos deslocamentos
de H e C para mais de trinta substâncias.
Publicado
em 06/02/2006
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Concurso
da FIOCRUZ
Até
16 de fevereiro estarão abertas as inscrições
para o concurso da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz),
que oferece mil vagas em cargos dos níveis técnico,
superior e mestrado, com vencimentos de até R$3.897,37,
já incluído o auxílio-alimentação,
de R$143,99, e as gratificações.
Apesar
da pulverização das vagas, há muitas oportunidades
para o pessoal da área químico-farmacêutica.
Cabe olhar atentamente o edital e buscar a vaga com o pefil mais
adequado. Há oportunidades em química analítica,
produção, validação, desenvolvimento
e qualidade.
A
maioria das vagas é para o Rio de Janeiro e as demais são
para as unidades da Fiocruz em Belo Horizonte, Brasília,
Curitiba, Manaus, Recife e Salvador.
As
Inscrições devem ser feitas pela internet,
nos sites www.fjpf.org.br
ou www.fiocruz.br,
até as 23h59 de 16 de fevereiro de 2006. O interessado
deve preencher o formulário, imprimir o boleto bancário
e pagar a taxa em qualquer agência bancária, no valor
de R$40 para técnico e de R$80 para os demais cargos.
Fiocruz disponibiliza computadores para inscrição
nos seguintes locais:
- Centro de Recepção do Museu da Vida, Av. Brasil,
4.365, Manguinhos;
- Instituto Fernandes Figueira, Centro de Estudos Olinto de Oliveira,
Av. Rui Barbosa, 716, térreo, Flamengo;
- FJPF, UFRJ, prédio do CCMN, Decania do Centro, Planejamento
e Gestão-DPG, Cidade Universitária (Ilha do Fundão;
- FJPF, Rua México, 74, 8º andar, Centro.
Publicado
em 29/01/2006
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BNDES
Financia Cadeia Produtiva Farmacêutica
O BNDES
está financiando investimentos na cadeia produtiva farmacêutica
nacional. Essa é uma grande oportunidade para pequenas
e médias empresas que vem sofrendo pressão da forte
concorrência internacional e do recrudescimento crescente
e natural da legislação.
Indústrias da área
de saúde necessitam de grande aporte de capital para custear
a cadeia produtiva e P&D. Na sua maioria, as indústrias
farmacêuticas de capital nacional não têm grandes
investimentos em P&D devido aos altos montantes de capital
para implantação e manutenção, portanto,
os custos estão basicamente na manutenção
da cadeia produtiva. Para agravar a situação, há
uma ausência de cultura tecnológica, o que torna
essas empresas frágeis frente a um mercado tão competitivo.
As condições de
financiamento são boas, contudo, há uma série
de fragilidades tanto por parte do governo quanto por parte dos
empresários que são subestimadas ou pouco avaliadas.
O governo deve, além do suporte financeiro, criar uma estratégia
agressiva de conscientização do empresário
e incentivar empreendedorismo por meio do fortalecimento e ampliação
de parques de alta tecnologia subsidiados e com boa estrutura
para deslanchar os projetos. Por sua vez, os empresários
brasileiros do setor precisam arriscar e serem mais agressivos
e criativos.
Embora o problema cultural pareça
ser um empecilho maior que a falta de dinheiro, a abertura de
mentes pode catalisar o processo de desenvolvimento tecnológico
na área de saúde brasileira. Um ponto de partida
talvez seja o investimento em capital humano, ou seja, ao invés
de demitir, a empresa deveria cooptar, desenvolver e manter cabeças
pensantes. Os demais passos são puro produto da ação
de mentes dedicadas e criativas.
O BNDES está com inscrições
abertas até 31 de dezembro de 2007. O financiamento abrange
as áreas (P&D) e aumento, inovação e
adequação da produção de farmacêutica
industrial. O financiamento restringe-se às empresas de
capital nacional. O valor mínimo é 1 milhão
de Reais. Para mais detalhes, acessem clique
aqui.
Publicado em 22/01/2006
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Talidomida
no Tratamento do Câncer Sanguíneo
A talidomida foi introduzida
no mercado nos anos 50 e tornou-se mundialmente conhecida pelos
seus efeitos teratogênicos e atualmente é aprovada
para o tratamento de sintomas da lepra.
Estudos clínicos realizados pela Celgene
demonstraram a eficácia da talidomida no tratamento do
mieloma múltiplo (crescimento descontrolado das células
plasmáticas). Na fase 3 dos estudos clínicos com
270 pacientes sem prévio tratamento, a associação
talidomida+dexametasona mostrou-se muito superior ao tratamento
com dexametasona sozinha.
A Celgene irá encaminhar
um pedido de autorização ao FDA (Food and Drug Administration)
para aprovar a talidomida como agente no tratamento do mieloma
múltiplo.
A talidomida é um exemplo claro que a crise por moléculas
inovativas pode ser minimizada pela busca de novas aplicações
dos fármacos antigos. Contudo, há a necessidade
de intensificar os estudos clínicos para definir essas
novas aplicações.
Fonte:
News-Medical.Net
Publicado
em 16/01/2006
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Nanocorante
na Análise de Metais Pesados
Aos poucos, a nanociência
vai se consolidando como um fato tecnológico incontestável.
Todos os dias saem publicados novos avanços ou novas aplicações
ou produtos oriundos das dimensões nanométricas.
Em artigo anterior foi comentado
aqui o que realmente seria a nanotecnologia e suas aplicações
em cosméticos. Na verdade, o fato de ter dimensões
nano não significa muita coisa se o sistema não
apresenta sensível diferenciação da sua escala
macro. Entre outras palavras, para que realmente haja uma influência
da nanotecnologia, o novo sistema deve ser consideravelmente diferente
da forma macro. Em geral, as propriedades são maximizadas,
diferentes ou complementadas.
Há inúmeros exemplos
de aplicação da nanotecnologia, mas um trabalho
recente chamou a atenção pela sua praticidade e
eficiência. Os pesquisadores Yukiko Takahashi and Toshishige
M. Suzuki do Instituto Nacional de Indústria, Ciência
e Tecnologia Avançaday, em Sendai, Japão, desenvolveram
um método de impregnação de nanocristais
de corante às fibras de celulose. Com isto, eles conseguiram
fazer papéis indicadores capazes de detectar Zn+2 até
1 ppb e Hg+2 até 10 ppb. Sensibilidade fabulosa, principalmente,
para o tratamento preciso de água. Além disso, o
corante fica permanentemente fixado à celulose, não
sendo arrastado por pressão ou lixiviação.
Como em cosméticos, fármacos
e materiais, a química analítica também vem
recebendo considerável contribuição da nanotecnologia.
Fonte:
C&E
Publicado
em 10/01/2006
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Técnicas
de Osteointegração
Por enquanto, o estudo da osteointegração
pode ser considerado mais uma arte que ciência. Simplesmente
porque o conhecimento que temos sobre células ainda é
insuficiente para determinar todos os mecanismos de estímulo,
fixação, mobilidade, diferenciação
e reprodução das células ósseas. Entretanto,
alguns pontos já foram comprovados, tais como:
- Superfícies rugosas estimulam a fixação
das células, também podem influenciar na orientação
do crescimento celular.
- Em estruturas 3D, a micro e a macroposorisidade devem ser respeitadas
para permitir o livre acesso de nutrientes.
- Há diversas proteínas e aminoácidos responsáveis
pela diferenciação e estímulo ao crescimento.
Essas substâncias agem em conjunto com estímulos
químicos e físicos do meio. Contudo, esses fenômenos
não foram ainda precisamente determinados.
- As células troncos são peças fundamentais
para a restauração precisa de novo tecido ou conjunto
de células.
- A composição química do substrato é
fundamental para proliferação, fixação
e crescimento das células.
A osteointegração
é uma técnica da Engenharia de Tecidos e pode ser
dividida em dois segmentos principais:
- construção in vitro de tecidos bioartificiais
de células isoladas pela dissociação enzimática
do tecido doador.
- alteração in vivo do crescimento e da
função de uma célula.
Atualmente, a segunda técnica
tem sido amplamente utilizada, principalmente em odontologia.
Contudo, as técnicas científicas convergem para
a fusão dos dois métodos. Portanto, o que se observa
nas pesquisas correntes é a busca por sistemas que estimulem
o crescimento celular in vitro, mimetizando o sistema
orgânico alvo e, depois, implanta-se in vivo o
tecido cultivado com todos os elementos que estimulem a osteointegração.
O tratamento de lesões
pequenas, como pequenas fraturas, pode ser feito pela aplicação
de pastas contendo hidroxiapatita, células e fatores de
crescimento ósseo. Grandes lesões, geralmente requerem
uma definição precisa da área danificada
por tomografia computadorizada. As imagens 3D da tomografia servem
de protótipo para a construção de estruturas
porosas artificiais que servirão como suporte para crescimento
celular in vitro, que posteriormente serão implantadas
in vivo. As lesões grandes invariavelmente são
de difícil tratamento devido à destruição
da organização celular original.
Para o tratamento de câncer,
esses implantes podem conter quimioterápicos dispersos
na estrutura do substrato. Esses seriam controladamente liberados
conforme houvesse a assimilação do substrato durante
a osteointegração. O mesmo pode se afirmar dos fatores
de crescimento, que devem ser liberados controladamente a partir
do substrato para que o estímulo às células
seja constante e pelo tempo necessário à consolidação
do tecido.
O desafio da osteointegração
ainda está no seu começo, porém, já
houve grandes avanços. Mais adiante, com o aprofundamento
do conhecimento da bioquímica celular e sua influência
na fisiologia dos tecidos, será possível criar as
bases para construção de qualquer órgão
do corpo humano.
Publicado
em 01/01/2006
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Qual a diferença
entre terapia gênica e terapia celular?
Essas duas terapias têm
um objetivo comum, mas os meios para alcançá-lo
são diferentes. Com foi citado no último FIQUE
POR DENTRO, a terapia gênica está fundamentada
na manipulação de genes, mais precisamente, seqüências
do DNA, de forma transplantar seqüências saudáveis
para um célula defeituosa por meio de retrovírus.
Na terapia celular, o trabalho consiste em substituir tecido ou
conjunto de células defeituosas ou danificadas por células
sadias.
Mais uma vez, como na terapia
gênica, a complexidade se faz presente, porém, relativamente
mais simples por não envolver o uso de microorganismos.
Há vários detalhes que fazem da terapia celular
ao mesmo tempo fascinante e obscura, entre eles:
- obtenção e cultivo de células embrionárias
- grande discussão ética em todo mundo, já
que o feto é a melhor fonte para obter essas células.
- cultivo de células 2D vs cultivo 3D - com exceção
da pele, o cultivo 2D tem aplicação in vivo
limitada, geralmente, os tecidos são estruturados em forma
3D, por exemplo, o tecido ósseo.
- conhecimento parcial e ainda limitado do mecanismo de diferenciação
e proliferação celular in vivo - principalmente,
devido à complexidade do ambiente de crescimento celular
nos seres vivos.
- como conseqüência do fator anterior, não é
possível criar meios de cultivos artificiais que mimetizem
os sistemas orgânicos - tenta-se estudar sistemas aproximados,
cujos resultados devem ser corroborados com estudos in vivo,
o que encarece bastante o processo de pesquisa.
- número limitado de biomateriais que possuem as propriedades
de biocompatibilidade e bioabsorção.
Atualmente, o campo de terapia
celular mais avançada é o da osteointegração.
O sistema ósseo é um dos tecidos mais importante
para a vida de animais vertebrados, principalmente, para a manutenção
estrutural do corpo. Portanto, o seu bom funcionamento confere
uma qualidade de vida excepcional. Não para menos, esse
tecido tem sofrido atenção especial pelos cientistas
e vem ganhando importância com o aumento global da população
idosa e de lesões causadas por esforço físico
em jovéns (cultura do corpo atlético).
A terapia celular vem sendo apoiada
pelo avanço tecnológico dos biomateriais usados
em ortopedia. Apesar de ainda não existir um biomaterial
ou sistema de crescimento celular completo ou plenamente eficiente,
o mercado de ortopedia movimenta mundialmente US$ 20 bilhões,
sendo a metade deste valor gasto somente nos Estados Unidos. As
exportações e importações dos quatro
principais grupos de biomateriais (cimentos para uso dentário
ou ósseo, juntas artificiais, dentes artificiais e orgãos
artificiais), situam-se em torno de US$ 4,5 bilhões com
taxa de crescimento anual superior à 10%, entre 1999-2003,
o que indica um mercado mundial em forte expansão.
Na próxima edição,
apresentaremos técnicas de osteointegração.
Até lá...
Publicado
em 19/12/2005
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TERAPIA GÊNICA – FICÇÃO
OU REALIDADE?
O que seria terapia gênica?
A terapia gênica consiste na manipulação,
substituição ou complementação de
um gene defeituoso ou a substituição deste por um
saudável. Historicamente, a terapia gênica teve suas
bases lançadas em 1966 no simpósio "Reflections
on Research and the Future of Medicine", realizado na Columbia
University, EUA. Contudo, na década de 90 foi onde se observou
um maciço crescimento e disseminação de pesquisas
nesta área.
Como viabilizar essa terapia?
Há diversas técnicas e elas dependem do sítio
que irá ser tratado. Contudo, as técnicas mais modernas
possuem em comum o uso de vírus modificados geneticamente.
Os mais usados são os retrovírus. Como sabemos,
o vírus tem a capacidade natural de inserir o seu conteúdo
genético em determinadas células. Portanto, como
o ovo de Colombo, é o caminho mais óbvio, porém
não tão simples, de promover uma transferência
de genes.
O uso de vírus para fazer
a transferência gênica tem uma série de detalhes
tecnológicos que transformar a terapia gênica em
uma das mais sofisticadas técnicas de tratamento de doenças,
senão a mais complexa. Por isso, ainda não há
uma técnica 100% eficiente ou segura. Variáveis
tais como o tipo de cepa do vírus, carga genética,
técnica de implantação do plasmídio,
características da célula hospedeira, forma de veiculação
do vírus no organismo hospedeiro, identificação
correta da seqüência genética alvo (o sítio
genético) e a adequada correlação animal/homem
alimentam as dificuldades de viabilização dessa
técnica. Contudo, a possibilidade de resultados revolucionários
em doenças de origem genética ou de anormalidade
genética impulsionam as pesquisas neste tipo de terapia.
O FDA já registrou mais
de 500 pedidos de estudos clínicos usando terapia gênica.
Dentro deste esforço tecnológico, um bom exemplo
foi dado pelo centro de engenharia biomédica da Duke University,
EUA. Desenvolveram um sistema patenteável para o tratamento
de tumores cancerígenos. Eles tinham um problema que o
vírus inicialmente modificado ou concebido para atacar
especificamente as células cancerígenas, acabava
por intoxicar outros tecidos. Isto acontecia porque o veículo
que o vírus era inoculado se difundia sistemicamente pelas
lesões deixadas pelas agulhas de injeção.
O problema foi resolvido usando uma dispersão dos vírus
em Poloxamer® (copolímeros de oxietileno e oxipropileno).
O uso do Poloxamer® reduziu a difusão do vírus
em 100 vezes, basicamente por causa da sua elevada viscosidade.
Esse caso da Duke University
figura bem o casamento de duas tecnologias que darão o
tom das ciências da saúde, a manipulação
de genes e a liberação controlada de ativos e agentes.
Na próxima semana: Qual
a diferença entre terapia gênica e terapia celular?
Referências:
http://www-micro.msb.le.ac.uk/3035/index.html
http://www.pratt.duke.edu/...
http://www.virology.net/Big_Virology/BVretro.html
http://opbs.okstate.edu/~melcher/MG/MG01.html
http://genetics.med.harvard.edu/~cepko/vector/
http://www.frenchanderson.org/history/history.asp
Publicado em 05/12/2005
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POLIMORFISMO
DA ASPIRINA
Quando
uma molécula apresenta mais de uma estrutura cristalina,
é dito que ela apresenta polimorfismo. Os estudiosos de
cristais inorgânicos conhecem bem esse fenômeno. Contudo,
até pouco tempo, era um fato ignorado ou subestimado pelos
farmacêuticos e químico-farmacêuticos. O polimorfismo
começou a chamar a atenção quando estudos
comprovaram que mudanças no perfil de dissolução
e processamento de determinados ativos variavam com a origem,
lote, armazenagem ou mesmo durante o processo. A conclusão
foi que esses fenômenos aconteciam simplesmente por causa
da existência de cristais diferentes para uma mesma molécula,
alguns estáveis e outros não.
Atualmente,
o estudo de polimorfos está bem avançado. A ponto
de hoje fazer parte na descrição de patentes de
substâncias e produtos. Coisa rara, até segunda metade
da década de 90. Além disso, estudos clínicos
caros podem apresentar resultados não reprodutíveis,
se o polimorfismo não for observado. Portanto, durante
a pesquisa e desenvolvimento da molécula, procura-se obter
e determinar todas as formas possíveis de cristais. Geralmente,
busca-se formas mais solúveis e estáveis.
Uma
das substâncias que mais apresenta polimorfismo é
a carbamazepina, pelo menos 8 formas e somente duas são
relativamente solúveis. A surpresa do momento foi a descoberta
de polimorfismo do ácido acetilsalicílico, a aspirina.
Até então ainda não havia dados concretos
sob o polimorfismo da aspirina, porém, pesquisadores do
departamento de química da Universidade do Sul da Carolina,
USA, conseguiram separar e caracterizar a forma II. A nova forma
foi identificada através de difração de raio
X (DRX), infravermelho, cromatrografia de alta eficiência
(CLAE ou HPLC) e calorimetria diferencial de varredura (DSC).
Maiores
de detalhes sobre a forma II da aspirina, veja aqui.
Publicado
em 21/11/2005
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NOVOS
VENTOS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DA TUBERCULOSE
A
tuberculose mata em torno de 1,7 milhões de pessoas em
todo mundo por ano, sendo mais drástica nos países
em desenvolvimento. Além dos problemas inerentes à
pobreza, esses países ainda sofrem um processo perverso
de alienação da indústria farmacêutica
internacional. Esta não se interessa em pesquisar novos
antibióticos ou kits de diagnósticos para o tratamento
da tuberculose por ser uma atividade pouco lucrativa. Isso é
um grande problema porque os medicamentos atuais têm mais
de 60 anos e o método clássico de análise
do escarro tem mais de 100 anos.
Isso
tudo retrata a vulnerabilidade das populações dos
países pobres às questões de resistência
aos medicamentos e ao longo tempo para o diagnóstico da
doença. Felizmente, pesquisadores do Imperial
College London desenvolveram um novo método de diagnóstico
da tuberculose que é feito em uma semana, um quarto do
tempo do método tradicional. O nome do teste é MODS
(Microscopic Observation Drug Susceptible Assay). O custo
também abaixou substancialmente, de $30-40 para $2. Isso
foi um grande avanço tecnológico que poderá
salvar milhões de vida nos países pobres. O teste
também permite identificar a qual fármaco o Mycobacterium
é resistente ou suscetível, o que possibilitar um
tratamento mais eficiente.
Contudo,
o grande número de doentes e a proliferação
da AIDS têm favorecido o aparecimento cepas resistentes
aos medicamentos clássicos. É urgente que se retome
as pesquisas de novos fármacos para o tratamento da tuberculose.
Para mais detalhe consulte a STOP
TB.
Fontes:
WHO, BBC, ICL
Publicado
em 14/11/2005
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Nanotecnologia
no Brasil
A
nanotecnologia em cosmético é o tema da nossa colaboradora
Linda de Oliveira. Na realidade, a nanotecnologia perpassa diversas
áreas tecnológicas e será a tecnologia do
futuro. Quem visita o site do Center
for Responsible Nanotechnology, se sentirá espantado
tanto pela diversidade de atuação tecnológica
quanto pelas implicações sociais e políticas
da nanotecnologia. Vale uma visita e se inteirar do assunto.
Vocês
devem estar pensando: e o Brasil como anda em relação
a isto? Os mais críticos diriam: não temos dinheiro
nem para fazer o básico, muito menos tecnologia dessa monta.
Pois é, mas agora é o momento para agirmos. Como
paradigmas serão quebrados, ou seja, muito provavelmente
haverá uma nova forma de gerar riqueza, o Brasil terá
a chance de pelo menos encostar ou diminuir a distância
dos países desenvolvidos. Obviamente, isso não se
resolve em um passe de mágica. Para viabilizar essa tecnologia,
há dois requisitos básicos: pessoas capazes e recursos
financeiros. O primeiro temos, mas o segundo é ainda insipiente.
A
grande questão reside em como o Brasil irá encarar
esse problema. Como usufruir desta oportunidade com tamanha escassez
de recursos? Talvez a saída esteja em focar áreas
mais palpáveis (como cosméticos e nanomedicamentos)
e buscar apoio no setor privado.
Para
saber mais um pouco sobre as quantas anda o Brasil em nanotecnologia
clique aqui.
Para
saber mais sobre o nosso maior "concorrente" e referência
na área clique aqui,
veja principalmente a página 10 .
Pubicado
em 06/11/2005
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Gripe
Aviária – Nova briga de patentes?
Atualmente,
apenas a Roche detém o medicamento, o Tamiflu, capaz de prevenir
e tratar a gripe aviária. Contudo, a sua capacidade produtiva
instalada não comportaria a demanda de uma pandemia. Diante
disto, a Roche já se prontificou licenciar o medicamento
para empresas que queiram produzir o genérico.
Apesar desse fato, dois países se prontificaram quebrar a
patente e produzir o genérico, Índia e Taiwan. O Chile
vem solicitando aos organismos internacionais que suspendam os direitos
de propriedade intelectual do medicamento no caso de uma pandemia.
A Roche tenta desencorajar as cópias alertando que a fabricação
do Tamiflu envolve um complexo processo de 12 meses e exige fábricas
protegidas contra explosões. A Roche tem domínio sobre
a patente até 2016.
Diante dessa confusão, a Glaxosmithkline (GSK) dá
uma boa notícia. A GSK está desenvolvendo uma vacina
para combater a gripe aviária. Os ensaios clínicos
começam no próximo ano, 2006. A aprovação
pelas agências reguladoras deve sair no final do mesmo ano.
Para saber mais sobre a gripe aviária, clique
aqui.
Fontes:
O Estado de São Paulo;
Alanac; The
AGE
Publicado
em 05/11/2005
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Software
no Estudo da Metabolização de Moléculas
Um
grupo de pesquisadores europeus desenvolveram um software capaz
de prever a metabolização de moléculas pelo
citocromo humano P450. Este citocromo é o responsável
pela maior parte do mecanismo de metabolização.
O programa chamado de MetaSite também prevê qual
citocromo irá catalisar o processo.
Esse
programa permitirá a otimização de novas
e antigas moléculas ativas. Também poderá
ajudar no estudo de farmacocinética. O programa pode ser
adquirido pelo link www.moldiscovery.com.
O programa é grátis para estudos acadêmicos
e não-comerciais.
Quem
quiser se aprofundar no assunto pode baixar o arquivo original
aqui.
Frontes:
C&E News
Publicado
em 24/10/2005
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Prêmio
Nobel em Fisiologia e Medicina 2005
O
prêmio Nobel em fisiologia e medicina foi para dois pesquisadores
australianos, J. Robin Warren, 68, do Royal Perth Hospital e Barry
J. Marshall, 54, da University of Western Australia. A agraciação
foi devido à descoberta da bactéria Helicobacter
pylori e elucidação do seu mecanismo de ação
na formação das úlceras gástricas
e peptídicas.
Para saber mais sobre a Helicobacter pylori, no site
www.helico.com, há
informações completas sobre a bactéria e
a etiologia das úlceras provocada por ela. Vale conferir.
Tente matar as bactérias que aparecem na tela com o ponteiro
do mouse.

Helicobacter pylori
Fonte: http://nobelprize.org
Publicado
em 04/10/2005
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