AVANÇOS TECNOLÓGICOS NAS EMBALAGENS FARMACÊUTICAS - PARTE II
Por Fabio Dantas - Editor
Como foi comentado em nosso último artigo, as inovações nas embalagens farmacêuticas estão dando novo status à esse seguimento. Há pouco menos de 10 anos, as embalagens eram apenas um acessório complementar ao produto e usadas como um mero sistema protetor e informativo do conteúdo. Entretanto, o avanço tecnológico, a disputa de mercado através da inovação e o rigor dos órgãos de saúde pública têm criado um novo paradigma para as embalagens.
Um novo sistema que vem tomando força é o uso da radiofreqüência. São pequenos dispositivos eletrônicos colocados nas embalagens primárias ou secundárias capazes de informar lote, fabricante, data de fabricação, data de validade, dosagem, nome do produto, substância, etc. Esses dispositivos podem futuramente permitir ao usuário final identificar corretamente o produto mesmo que perca a bula ou a embalagem secundária. O sistema de radiofreqüência também permite um maior controle no estoque e cria uma dificuldade a mais para roubo de carga e falsificações.
Há um aumento crescente de embalagens que se confundem com o conteúdo, ou seja, são na realidade dispositivos que veiculam o medicamento de maneira inteligente. No caso do tratamento da diabetes, as canetas injetoras apresentam-se como um sistema que tem aumentado a aceitação e adesão dos usuários de insulina, principalmente os novos usuários. São embalagens primárias contendo a dose correta do medicamento. Sinais audíveis indicam o início e fim da injeção. São também mais sociáveis que as tradicionais seringas e ampolas. A BD Medical—Pharmaceutical Systems é a empresa referência em canetas injetoras.
Dentro desse conceito, os filmes comestíveis apresentam-se como substituintes às tradicionais cápsulas e comprimidos. Esses filmes são incorporados a embalagens que são projetadas para proteger o conteúdo da abertura acidental por crianças e fácil manuseio por idosos. Neste caso, observamos a mudança de conceito de embalagem por força de uma inovação na forma farmacêutica, no caso, filmes comestível. Isto também provoca inovação nos fabricante de equipamentos, que devem se adequar à nova realidade. Esse sistema está limitado ainda a fármacos potentes com dosagem até 50 mg.
A empresa Dermatrends também apresenta um novo conceito em terapia transdérmica por meio do seu sistema fundamentado no agente de hidroxi-liberação, HRA technology. Esse sistema é uma embalagem primária com adesivo (patchs) que permite e aperfeiçoa a absorção de diversos fármacos, entre eles, anti-inflamatórios não esteróides, anticoncepcionais, etc. Esse dispositivo é um exemplo singular de otimização de embalagens primária como sistema de liberação do fármaco. Até recentemente, a liberação transdérmica estava restrita a fármacos potentes, pois a absorção via derme é reconhecidamente errática e pequena. O sistema HRA da Dermatrends parece quebrar essa limitação.
Os conceitos e sistemas mostrados com relação às inovações em embalagens de medicamento apresentam-se como novos desafios às indústrias e mostram produtos mais voltados para aceitabilidade e interação com o usuário. Isso deixa evidente até o momento, que as inovações são impulsionadas pelo mercado, tanto à nível de competição inter-empresas quanto pelo próprio consumidor que está cada vez mais exigente.
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Publicado
em 06/08/2007
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